Morar sozinha em Nova York

A decisão de morar no meu próprio canto nesse período em Nova York, teve, também, a intenção de mexer um pouco com minha acomodação doméstica. Cuidar da limpeza da roupa, preparar a própria comida, fazer faxina na casa, são coisas que no nosso país, na maioria das vezes a gente delega a outra pessoa. A gente até vai prá cozinha e limpa a casa vez ou outra, mas quando isso tem que ser feito como rotina, a coisa é desafiadora. Principalmente para uma pessoa, digamos, senior, como eu. Por mais que as costas doessem, nada foi mais gratificante que a sensação de liberdade, de mandar nos seus próprios horários e desconstruir os próprios hábitos. Algumas coisas tive que aprender quase do zero e vou contar aqui prá vocês.

Fazer faxina

A maioria dos apartamentos, sobretudo nos prédios mais antigos, não tem área de serviço, logo, não tem onde se estender roupa. Limpar o banheiro jogando um desinfetante diluído em um balde d’agua, passar um escovão e depois um pano de chão pra secar: isso era o que eu entendia de limpar o chão do banheiro. Mas, como fazer se o chão não tem ralo pra escorrer a agua e não existe pano de chão porque não tem onde coloca-los pra secar?

Quando cheguei no meu apartamento havia um deposito repleto de produtos de limpeza, dos quais eu só conhecia o Pinho Sol. Obviamente não tinha pano de chão, mas tinha uns lencinhos úmidos e uns secos, que eu fiquei olhando por longo tempo, tentando entender pra que serviriam. E não havia vassouras. Precisei da ajuda de Thaisa pra começar a pensar em como limpar as coisas. Então é assim: tem um produto pra limpar cozinha e outro pra banheiro, tem um pra limpar torneiras e outro pra limpar fogão, tem um pra banheira e outro pra tirar cheiro de suor dos sofás. Viram como não é simples? E as toalhinhas que parecem um perflex grosso? São para limpar o chão! Se coloca em uma espécie de rodo largo e se limpa o chão. Complicado, viu? E haja dor nos quartos depois!

Comprar comida

Sem problemas, os supermercados são parecidos com os nossos, a não ser pela maior quantidade e variedade de produtos. Mas a arrumação é muito semelhante. Problema seriíssimo: subir 3 lances de escada com muitas sacolas pesadas. Logo aprendi que não dá prá fazer compras pro mês, nem mesmo pra semana. Tem que se sair do supermercado com, no máximo, duas sacolas leves.

Existem muitas feiras livres de produtos orgânicos. Perto de casa, na Praça Grand Army, na entrada do Prospect Park, aos sábados, tem uma ótima.  São feiras onde o próprio produtor trás seus produtos pra vender. Por isso são feiras com frutas e verduras da época, pães de fabricação caseira, queijos, embutidos, mel. Comprei um quirche numa barraca de massas, de comer de joelhos.

Lavar roupa

No meu apartamento não tinha maquina de lavar e secar. E ai tive que me virar. Existem aquelas “laundry”, onde se compra fichas e se maneja as maquinas. Você tem que levar seu sabão, seu amaciante, comprar a fichar, botar pra lavar, esperar, botar pra secar, esperar, dobrar a roupa e pronto. Bom, são serviços que já existem há muito por aqui. Eu não tinha nenhuma dessas por perto, mas tinha pertinho uma loja de um chinês mal humorado, que cobrava por peso, lavava e dobrava a roupa e entregava no mesmo dia. Levava roupa de cama, toalhas, panos de prato, jeans. E nunca paguei mais do que 10 dólares. Roupas mais delicadas e camisetas, lavava em casa usando uma estratégia de secagem que achei que era invenção minha, mas depois soube que todo mundo faz isso: um varal de chão na banheira do banheiro. Como o clima estava bastante seco, eu lavava de tarde, no outro dia de manhã já estava seco. E também acabei com essa besteira de roupa passada. Pendurava as malhas ainda molhadas e deixava escorrer. Secavam lisinhas.

Lavar prato

Para mim não existe nada mais pavoroso numa casa do que terminar de fazer uma refeição, tomando um calicezinho de vinho e depois ir pra pia lavar louça. Quebra todo o prazer. Acho um serviço sem fim. Me sinto a própria Sífiso. Mas, graças aos deuses, na minha casa tinha o que eu considero o maior invento doméstico: uma máquina de lavar pratos! Era uma máquina grande, de modo que eu juntava dois ou três dias de louça e botava pra rodar. Já as panelas… ai não tem jeito, é na bucha mesmo.

E assim foi. E foi ótimo. Felizmente não sou daquelas pessoas obsessivas por limpeza, que fica passando o dedo nos móveis. Ai não foi tão mortal. A dor nas costas? Resolvi com 400mg de ibuprofeno a cada faxina.

3 comentários em “Morar sozinha em Nova York”

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