O Lago Ohrid

Antes de começar a contar sobre Ohrid (pronuncia-se Orrid), preciso falar sobre o Bazar Velho de Skopje. Na parte antiga da cidade (mas atualmente cheia de prédios e estátuas “clássicas”), no antigo bairro judeu, o Bazar Velho é, na verdade, um conjunto de ruazinhas e becos desordenados, com lojas de tudo. Uma espécie de Sahara do Rio de Janeiro, só que muito maior e com ruas mais irregulares. Não sei se feliz ou infelizmente estava chovendo e não podemos bater perna demais. Mas vimos um monte de lojas de tecidos, vestidos de festa chiquerérrimos dourados, vermelhos, negros, cheios de pedrarias, uma coisa assim pra eu nunca usar nem pra pagar promessa. Vimos também várias alfaiatarias creio que daquelas que o cara tira as medidas e no fim do dia está pronto. Mas o mais interessante foram uns sapatinhos de couro rústico, com o solado também de couro, o que o torna proibido para “seniors”, pelo perigo de escorregões e ossos quebrados.
OHRID

Apesar de Skopje ser a capital da Macedonia, Ohrid é a cidade mais visitada pelos turistas, porque fica às margens do lago do mesmo nome. Um lago lindo, enooorme, com quase 300km de perímetro e que faz fronteira com a Albânia. Além dessa maravilhosa beleza natural, Ohrid tem alguns monumentos históricos interessantes.


Se Skopje é cheia de mesquitas muçulmanas (e lá ouvi pela primeira vez o chamados dos muezins para as orações), Ohrid é um importante centro religioso cristão ortodoxo, com 365 igrejas e um monastério imperdível, o Monastério de São Naum, numa colina na beira do lago. Como toda igreja ortodoxa não há estátuas, as imagens são pintadas nas paredes, como afrescos, ou em quadros.

O desfocado em algumas partes da imagem sao gotas de chuva ☺️

E quem é esse São Naum de quem eu nunca tinha ouvido falar? Pois senta que lá vem historia. Em toda essa região o alfabeto é o cirílico, em homenagem a São Cirilo, que idealizou uma forma de escrita que representasse o idioma dos povos eslavos “pagãos” , com o sentido de facilitar a pregação cristã. Ele idealizou mas quem o escreveu foi um tal de São Metódio. Esse alfabeto era somente utilizado nas igrejas e nos escritos religiosos. Depois disso, São Clemente de Ohrid (parece que existem vários santos com esse nome) resolveu repensar esse alfabeto, de modo que pudesse ser usado em qualquer situação. Ele idealizou e São Naum escreveu o alfabeto que hoje é usado não só aqui mas em outros países, inclusive a Rússia. E por esse importante trabalho eles todos hoje são santos. (E nós, escrevendo teses, não ganhamos nem indulgência plenária).

Em uma das extremidades da enseada onde está a cidade há uma enorme fortaleza, que eu não fui ver de perto porque chovia e as escadas estavam escorregadias.

Uma visita imperdível também é à Baía dos Ossos, a cerca de 30km do centro da cidade. Lá os antropólogos encontraram restos de uma comunidade de cerca de 3.000 anos a.C. Era um povo que morava em construções de palafitas, dentro do lago, provavelmente como forma de se proteger de animais predadores. Claro que as casas originais não existem, mas eles reconstruíram como supõem ter sido e ficou muito interessante.



Em Ohrid comemos no restaurante mais bonito da viagem até agora, o Ostrovo, que significa ilha justamente porque ele está em uma pequena ilha fluvial, bem perto do Monastério de Saint Naum. É lindo!

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