Comer no Mercado do Porto em Montevideu 

Está praticamente em todos os blogs a dica do quão imperdível é comer uma parrilla no Mercado do Porto. Obviamente, fomos. O Mercado fica exatamente no final na rua onde está nossa casa, a calle Piedras, a umas quatro quadras. Quando vamos nos aproximando, começa a surgir um comércio mais diferenciado: uma linda loja de lãs e artigos de tear (uma aula de tear havia começado uma hora antes e eu me maldisse por não ter vindo mais cedo), um bar assim bem num estilo descolado rústico, com povo com cara de “se quiser arriscar, entre”, um restaurante (o Es Mercat), com inscrições em cirílico na entrada e quase 5 estrelas no TripAdvisor. E lá no fim, o Mercado propriamente dito. 

Não é muito grande, mas parece com outros que conheci, como o de Santiago, no Chile. Restaurantes com mesas nos corredores, lojas de buginir (lembram? Bungingangas de suvenir?), alguns lugares vendendo coisas específicas, como o eternamente lotado que vende empanadas. O mais famoso, pelo menos nos blogs brasileiros, é o Palenque, para o qual há controvérsias entre os avaliadores. Ama-se ou odeia-se. Estava lotadíssimo. 

Como o Palenque era controverso, com a maioria das avaliações considerando o serviço muito ruim e o preço muito caro, pedimos sugestão a um casal que tem um negócio de coisas de couro e lãs lá perto. Sem pensar muito nos indicaram o Quatro, com a promessa de boa comida e preços bons. No final da conversa o senhor nos disse “mais tarde tem um show de música”. Não gostamos de comer com música ao vivo, mas, como era mais tarde, fomos.

Quando entramos já notei os músicos se posicionando e disse pras meninas que deveríamos ficar na parte de dentro, escolhendo a mesa o mais distante possível daquelas enormes caixas de som. Mal pegamos nos cardápios e começou a latumia. Música altaaaaa. No mesmo momento chega na nossa mesa um cara FAZENDO MÁGICAS!!!! Juro!!! Dispensamos o mágico, suspiramos fundo e fizemos nossos pedidos. E aí a cantora atacou de Roberto Carlos! “Eu só queria saber como vai voceeeeeeeee”. E o que acontece em seguida? Os brasileiros fazem coro, aplaudem e pedem bis. Foi demais pra nós. Cancelamos os pedidos, pagamos a água e o pão, e fomos embora.

O dia estava mesmo perdido e optamos por um lugar mais vazio e sobretudo silencioso. Os preços eram melhores, mas o asado de tiras estava um horror. Duro e sem sal. Na verdade toda comida aqui é sem sal. Descobrimos que há uma recomendação oficial para isso. A coisa é tão séria que os restaurantes estão proibidos de colocar saleiros nas mesas. Só trazem se o cliente pedir. 

De uma maneira geral, esse Mercado nos pareceu uma daquelas armadilhas para um tipo de turista que não somos nós. Comemos uma carne muitíssimo melhor na despretenciosa Cervejaria da Matriz, na praça da Constituição.

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