Na Islândia, enfim a aurora boreal

Preciso contar da enorme emoção que foi apreciar, ontem à noite, a aurora boreal, coisa pela qual vinha ansiando há muito e muito tempo.

A emoção não consigo descrevê-la, apenas digo que foi uma sensação de extasiamento, de pequenez diante da beleza do Universo. Apenas parei, me recostei em um carro estacionado e fiquei ali, abestalhada.

Mas posso descrever o que vi e como funciona a espera pelas luzes.

O termo em inglês para aurora boreal é “northern lights”, e é uma palavra mais adequada para o fenômeno do que a nossa. Porque as luzes não aparecem ao nascer do sol, na verdade a condição básica é que o céu esteja bem escuro, sem luzes artificiais por perto e que esteja sem nuvens. Ou seja, pode aparecer a qualquer momento, dada essas condições. Creio que o nome “aurora” talvez se deva a que o céu se torna claro como se o sol fosse nascer. Mas, não todo claro e sim faixas claras, esverdeadas, que mudam muito lentamente de formato, como se estivessem se formando e desaparecendo e depois aparecendo em outro formato, alargando, tomando toda uma faixa horizontal do céu, ou se afinando formando uma grande linha vertical, ou formando franjas horizontais. Todo esse bailado é muito lento, como se fossem nuvens se movendo no céu.

O que vemos em vídeos, de luzes em uma dança louca, não é real, a menos que você fotografe em time lapse, ou seja, capture fotos com intervalos de tempo e depois grave em um contínuo. Também não conseguimos ver aquelas cores fulgurantes de azul e às vezes rosa, que vemos em algumas fotos. Pode ser que a que presenciamos não fosse assim tão exuberante, mas o fato é que as boas câmeras fotográficas, com seus tripés, com seu diafragma aberto ao máximo, com o ISO lá em cima, conseguem captar coisas que o olho humano não consegue.

Confesso que registrei em algumas fotos, com o celular mesmo, e preferi ficar desfrutando do espetáculo, porque fotos a gente vai encontrar na Internet.

O hotel em que ficamos oferecia todas as condições para apreciarmos o espetáculo. Isolado, longe de luzes, com um amplo campo ao redor para que, ainda quisesse mais escuro. Tive a impressão que todos que estavam hospedados, estavam ali para ver as luzes. E aí a recepção fica de prontidão. Quando as luzes aparecem eles telefonam para todos os quartos e aí é uma correria só. Todo mundo vai para o lado de fora com suas câmeras e tripés, procurando o melhor lugar.

Quando ainda estávamos jantando houve o primeiro sinal. Corremos. Mas ainda era um clarão tênue. Fomos dormir de roupa e tudo, esperando o telefone tocar. As 11:30 toca. Pulamos da cama, enfiamos as botas e o casaco e corremos. Nós e o resto do hotel. Lá fora fazia frio de 1 grau. E aí vimos. Por quase 30 minutos fiquei ali, parada, no escuro, com os olhos no céu, acompanhando o lento balé do choque das partículas com a atmosfera. E voltei para dormir me sentindo abençoada pelos deuses.

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