Islândia: impressões finais

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Traçado em vermelho o percurso que fizemos

Quando, há um ano, André (para quem não sabe Andre Salgado é o cara com quem a gente viaja, que é um doce, um amor, um gatão lindo de morrer, e que você pode ver a programação de viagens dele aqui viagenscomandresalgado.com ) nos falou de uma viagem a Islândia e que “caçaríamos” a aurora boreal, imediatamente eu disse “tô dentro”. Ver a aurora boreal sempre esteve entre os meus desejos, apesar de achar difícil de ser realizado até então. Pois vim para a Islândia pensando que se eu realizasse esse desejo já estava de bom tamanho. Não tinha muita expectativa com relação ao resto e, no íntimo, até pensava que poderia me enfadar com tanta natureza. O fato é que depois de alguns dias, vendo tanta coisa linda, em contato com a natureza no seu estado mais puro, bonito e atemorizador, quase que esqueci que a aurora era meu objetivo. A Islândia é um país realmente único.

Grande, pouco povoado, o país não tem pobreza. Não vi pobres e também não vi ricos ostentação, como vemos em outros países. Todos parecem ter o mesmo tipo de padrão de vida. É um país que, apesar de ter sido colonia norueguesa e depois dinamarquesa até os anos 1950, apesar de ter tido uma base militar americana desde a II Guerra até início dos anos 2000, não tem exército, apenas uma pequena força policial.

É um país caro. E fiquei curiosa se era caro somente para nós ou se também para eles, os habitantes da ilha. E sim, é. O salário mínimo é algo em torno de 2.000 dólares, mas com esse dinheiro não se consegue viver decentemente. Assim, o mais comum é que as pessoas tenham dois empregos. Por outro lado, tal como nos países escandinavos, as políticas sociais são efetivas: saúde e educação são públicas e gratuitas, o ensino é obrigatório até os 16 anos de idade, 40% da população tem nível superior. Os aluguéis são caríssimos, então o mais comum é que as pessoas comprem suas casas com empréstimos do governo, que se paga ao longo da vida.

O país viveu sempre da indústria pesqueira. Como estamos praticamente margeando a costa, todas as aldeias que passamos era pesqueiras. Mas não imaginem aldeias como as que vemos em Portugal, por exemplo. São vilazinhas de 300, 600 habitantes, mas de um alto padrão de moradia e comércio. Casas grandes, lindas, cafés e supermercados muito bem equipados, com produtos de qualidade e importados. Os barcos de pescas são verdadeiros navios; a pesca é industrial. Atualmente uma segunda atividade vem sobrepujando a pesca: o turismo. E com ele a construção de excelentes hotéis e restaurantes com comida maravilhosa, tipo master chef. Eles se prepararam mesmo para isso. As estradas são excelentes, os pontos turísticos estão bem sinalizados e com estrutura de apoio como cafeterias, banheiros e as indefectíveis lojinhas de souvenir. Outra importante fonte de recursos é a produção de alumínio, como indústria de transformação. O país importa a bauxita, produz e exporta o alumínio.

Por onde andamos observamos uma preocupação com o meio ambiente e a produção sustentável. Eles aproveitam a atividade vulcânica para obter energia geotérmica, portanto renovável. A água quente é usada para aquecer as residências. Mas, com a terra vulcânica e o clima sub polar não é possível se plantar muita coisa. Produz-se batatas, cenouras, beterrabas, coisas que crescem dentro da terra. E tomates em estufa, como já falamos em outro post. Outros alimentos precisam ser importados.

Uma coisa muito bacana é que todos os jovens trabalham durante as férias escolares. Seja nas fazendas de ovelhas, seja na pesca ou, mais recentemente, no setor de serviços, eles estarão lá, aprendendo e ajudando o país. Em todos os restaurantes que fomos os garçons eram meninos e meninas lindos, amáveis, prestativos.

E assim é esse pequeno grande país. Gostei muitíssimo, mas não é lugar para qualquer um. Não é para quem gosta de lugares glamorosos, fashion ou de encarar multidões em museus e espetáculos do show biz. Se vier venha preparado para um belo encontro com a Natureza, se surpreender e pensar “como eles conseguem?”, venha para comer bem e encontrar um povo gentil e reservado. Traga uma boa capa de chuva, um bom par de botas, seus olhos e o coração aberto.

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