Voltando ao México: Puebla ðŸ‡²ðŸ‡½

Um desejo antigo era estar no México no dia dos mortos. Ano passado André Salgado veio com um grupo e atiçou ainda mais a vontade. Esse ano assisti Coco, a animação da Pixtar, e aí não deu pra segurar, vamos ao México outra vez. E aqui estamos.

Nosso roteiro inclui apenas duas cidades: Puebla e San Miguel de Allende. Estamos agora em Puebla de Zaragoza, la Ciudad de Los Angeles.

PUEBLA

Puebla está a 2h30 da Cidade do México, em ônibus que sai direto do aeroporto (310,00 pesos) para cá, numa viagem confortável, desde que nos livremos dos engarrafamentos dentro da interminável capital.

Minha amiga Fatima sempre me falava de Puebla como “uma cidade lindinha” e, por conta de ouvir assim no diminutivo, imaginava uma cidade pequena, um pueblito. Equívoco completo. Puebla tem mais de 4 milhões de habitantes e se somar as cidades vizinhas, chega a mais de 7 milhões. É a quarta cidade mexicana em população.

Mas se nos restringirmos ao centro histórico, temos a impressão que estamos mesmo em um pueblito. O Zócalo (a Plaza Mayor) é uma grande praça de cidade do interior: árvores enormes, fonte, bancos, adolescentes escolares batendo perna, carrinhos vendendo balões e churros. Daqueles lugares que adoramos sentar e ficar horas vendo as modas. O comércio nas imediações nos transporta também ao tempo em que a gente saía para olhar as vitrines das lojas. Se você não prestar atenção aos cafés e restaurantes de um dos lados da praça, daqueles próprios para pegar turista, você pode ficar com a impressão que não tem disso na cidade.

Muitas igrejas, muitas mesmo. Com uma coisa curiosa: eles pintam a parte de alvenaria de cores fortes (roxo, amarelo, mostarda, ocre) e deixam as partes em pedra no original. A maioria delas não é particularmente rica ou bonita. A impressão que me deu foi de uma coisa meio cafona, “over”, ou seja tipicamente mexicana.

Uma semana antes da celebração dos mortos a cidade já está toda enfeitada. É lindo e divertido a maneira como eles tratam a morte, sem a lamúria a que estamos acostumados, mas com uma saudade alegre. Por todo canto a decoração é de caveiras coloridas, esqueletos brincalhões e, a mais famosa de todas, a linda Catrina, com vestidos fantásticos e e enormes chapéus emplumados!

A popular Catrina foi uma gozação, feita pelo caricaturista José Guadalupe Posadas, às madames ricas, que terminariam todas em caveiras. Eram chamadas por ele de “Calaveras Garbanceras”, em referência aos catadores de garbanzos. Posteriormente a figura foi incorporada por Diego Rivera ao seu belíssimo mural “Sueño de una tarde dominical”.

As lojas, os restaurantes, os bares, todos se enfeitam também. Em alguns lugares essa decoração se mistura com árvores de Natal.

Mas a mais importante tradição é a montagem das “ofrendas“, espécie de altar em homenagem aos seus mortos particulares, onde se põe comidas e bebidas, flores, objetos pessoais, encimados por fotos. Podem ser simples, para um só morto, mas geralmente são grandes para abrigar todos os da família. O arranjo fica belíssimo. A crença é que os mortos nesse dia visitam os familiares que lhes prestarem homenagens, se não houver eles não aparecem. Daí a preocupação em contemplar todos os entes queridos.

Mas se há alguma coisa que realmente me surpreendeu em Puebla foi a imensa oferta de doces de todos os tipos e modelos, muitos feitos exclusivamente com açúcar, como o nosso alfenim. O gosto por doces chega ao ponto de existir uma rua inteira de lojas que vendem exclusivamente doces – a calle 6 oriente. Nessa época os doces são alusivos à figuras dos dia dos mortos. Tem lindas caverinhas açucaradas, cestinhas com mix de doces, biscoitos recheados chamados “pastéis de Santa Clara”. Enfim, um suplício para quem adora doces e não pode comê-los.

Essas foram as primeiras impressões. Depois conto mais.

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