Um resumo de Berlim

Berlim é uma cidade bonita. Não chega a ser deslumbrante, mas tem uma coisa de calma, de organização, de vida tranquila, que faz a gente pensar que é uma ótima cidade para se morar. É isso, Berlim é uma cidade para se morar. Fiquei pensando no que não gostei lá e a única coisa que me ocorreu foi que a maquina que vende os bilhetes do metro deveria ter orientações em outro idioma que não o alemão. Se voce não souber, dança. Vai ficar olhando pra aquilo, sem saber o que fazer.

Aliás esse negocio de bilhete de metro é engraçado. Não há catracas para voce passar usando o bilhete, não há ninguem para voce entregar o dito cujo. Voce simplesmente compra e guarda. Se por acaso passar alguem cobrando, voce mostra. Acho isso extremamente civilizado. Acho que o conceito de civilização passa por voce fazer coisas certas, sem que ninguem lhe obrigue a isso.

E como as pessoas andam de bicicleta!! Cada poste, cada arvore das ruas tem pelo menos uma bicicleta amarrada neles. Na frente das lojas tem uns ganchos para prender as bicicletas. Nas avenidas principais tem locais para alugar bicicletas. Enfim, se eu morasse aqui tava ferrada…

Ainda Berlim: o Fernsehturm

No último dia fomos a uma torre onde ficam as antenas de TV e que é a mais alta da Europa e chama-se Fernsehturm. Claro que eles aproveitam para ganhar um dinheirinho. Montaram uma estrutura turística no topo da torre, com bares, restaurantes que giram, essas coisas, chamando todos a apreciar Berlim vista de cima. E lá fomos nós, como bons turistas que somos.

Eu estava como o maior medo de que minha claustrofobia me atacasse dentro do elevador porque imaginava que ia demorar uma meia hora para subir aquilo tudo. Mas o bixinho faz 6 metros por segundo e a gente nem sente. Alem do mais o ascensorista era um negro que falava portugues com sotaque de portugal e era uma simpatia.

A vista lá de cima é realmente bonita. Berlim é uma cidade muito plana, de modo que a gente pode ver até os limites dela.

Enquanto o sol caia e nos possibilitava melhores fotos, ficamos no bar tomando um vinho branco, que é o maior chique.

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Agora, aqui pra nós, se aqueles gringos que estavam lá deslumbrados, vissem o Rio de Janeiro de cima do Pão de Açucar, nunca mais iam querer pagar 10 euros pra subir aquela torre. O Rio não tem prá ninguem!

Olha ai o Rio Spree visto de cima.

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Apesar da luz bonita, o vidro da janela turvou a foto. Mesmo assim vale para ver o Spree do outro lado

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Ainda Berlim: um passeio pelo Rio Spree

O Rio Spree (que se pronuncia “sprê”, não ouse pronunciar “spri”) é o rio de Berlim. Mas, na verdade é um riozinho que tem um terço do Potengi, quando muito. É quase um canal. Mas os caras aproveitam para ganhar dinheiro dos turistas! Existe um monte de companhias fazendo passeio de barco, em barcos abertos, com guias contando a historia de cada predio.

Aproveitamos um dia de sol forte e lá fomos nós olhar a cidade de outro ângulo. O passeio é legalzinho, mas o percurso é pequeno, durando menos de 1 hora. Acho que ele não é navegável por trecho maior que aquele.

Mas no caminho vimos coisas interessantes, por exemplo, a praia dos berlinenses, coitados. Eles vão a clubes que ficam na beira do rio, os clubes põem cadeiras ao sol e eles acham que estão na praia. Olha só uma delas

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E como ainda tinha sol, as pessoas ficam lá, nos gramados da beira do rio, tomando sol ou namorando.

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Passamos por lugares antigos, mas pudemos ver uma Berlim nova, com predios de uma arquitetura muito moderna. Esses predios ai são as residencias dos Deputados.

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E a presença do Muro, sempre ele. Essas cruzes estão ai para lembrar os que morreram ao tentar atravessar o Muro que margeava o rio.

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Por que não fazer as coisas bonitas?

Berlim é uma cidade em obras ainda. Desde a queda do muro – e já lá se vão 20 anos, completados neste – é obra por tudo que é lado. Estáo refazendo desde a parte de infraestrutura, até ornamentos de ponte, predios que estavam destruídos, enfim…

Acontece que os caras fazem as coisas, mas fazem de modo a manter a cidade bonita. Olhem essa foto ai

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Viram? Perceberam? Pois é, enquanto não tem dinheiro para a restauração do prédio, eles colocam uma fachada de madeira e pintam como se fosse o próprio prédio! Não é legal? Vi isso em vários.

Como não perder clientes no frio

Estamos no fim do verão europeu, então ainda faz um calorzinho por aqui, mas as noites já são frias. Os bares e restaurantes ainda mantem as mesas nas calçadas, como no verão, mas, como não são bobos nem nada, colocam umas mantas nas cadeiras para as pessoas usarem e se protegerem do vento frio. Achei a ideia muito legal!

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Nessa noite estavamos em um restaurante vietnamita, onde comemos a coisa mais gostosa desde que chegamos aqui. E tão bonito veio o prato que fotografei. Não me perguntem o nome, mas era carne de porco com molho de mel e algo picante.

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O Muro e o anti-Muro

Ontem, durante o city tour, resolvemos descer e visitar o Museu do Checkpoint Charlie. Claro que todos sabem que o Checkpoint Charlie era o mais importante lugar onde se passava da Berlim Ocidental para a Berlim Oriental. Hoje, naquele local há um Museu com mil informações sobre o Muro, desde sua construção, em 1961, até a sua queda, em 1989. E logo na entrada a gente vê a estrela comunista e a placa indicativa da Republica Democratica. Esse é um pedaço do Muro que adorna a entrada do Museu

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E a estrela socialista

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É um lugar impressionante. Ficar em uma de suas janelas e imaginar que havia um Muro logo ali e que não se podia passar para ver os amigos, a familia, os conhecidos que moravam a menos de 100 metros de você, é uma coisa sufocante. E eles mostram as inumera maneiras que as pessoas arranjavam para atravessar de lá para cá. Tuneis cavados por baixo de predios, travessias dentro de mala de carro, tentativas em balões improvisados. Coisas incriveis e que muitas vezes terminavam com morte.

Mas, depois de um momento voce começa a se perguntar: por que as pessoas queriam passar pro lado de cá? O que era de tão terrível que acontecia do lado de lá? Ai você começa a perceber que eles contam uma historia que se não é falsa, pelo menos é muito misturada e sem todas as informações. Por exemplo, eles misturam com as coisas que aconteceram na Guerra e as contam como se fosse na época da RDA (DDR, como é em alemão a sigla da Republica Democratica Alemã, e que para mim lembra memória de computador). Por exemplo, em nenhum momento tenho resposta para as minhas perguntas sobre por que as pessoas queriam tanto atravessar. No final, conversando com meu irmão, ouço dele que é porque as pessoas viviam na miseria e oprimidas e por isso queriam a liberdade. Era exatamente isso que os caras queriam que as pessoas pensassem… Mas não era bem assim.

Hoje, depois de um lindo passeio de barco pelo ridiculo rio Spree, fomos visitar o Museu da DDR. É um museu que mostra a vida das pessoas do outro lado do muro. Os hábitos, o tipo de educação, o trabalho, como viviam, como se vestiam, como se divertiam. E ai cai por terra aquilo que vimos no Charlie. No Museu há textualmente uma frase que diz: na DDR não havia pobreza nem miséria. E vemos que o salario dos profissionais é mais ou menos igual, um engenheiro ganhando pouco mais que um fazendeiro, que havia Universidade para todos, que as mulheres tinham mil facilidades com seus filhos de modo que podiam trabalhar. Enfim, a vida do outro lado nada tinha de miseria ou opressão. O modelo economico sovietico começa a falhar com a primavera de Praga e com isso vai a reboque todos os que estão sob sua cobertura. E a DDR vai junto. E ai começam os problemas. Ou seja, de 1961 a 1968 todos viviam muito bem, obrigado!

Como diriam meu pai: “isso é propaganda capitalista, minha filha…”

Foi muito legal ter visto esses dois lados. Espero que as pessoas percebam…

Na saida comprei um broche com a foice e o martelo e uma camiseta com a palavra Berlim escrita em russo.

Berlin, Bärlein

Eu não sabia, mas o urso é o simbolo de Berlin. Simplesmente porque ursinho em alemão é Bärlein, que soa quase igual a Berlim. Por onde voce anda vai encontrar um urso, de todos os tamanhos, cores e desenhos. Tem urso com camisa de times de futebol, com desenho das linhas do metro (que aqui se chama U-Bahn), com simbolos do zodíacos desenhados na barriga, enfim, para todos os gostos.

Estavamos na nossa batida de perna quando encontramos uma festa do Lion’s e … olha nós ai com os ursos

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Batendo perna pela Ku’Damm

Amanheceu chovendo, que azar. Sair para passear com guarda-chuva não tem nada a ver. Haviamos planejado pegar um city tour daqueles dos ônibus abertos em cima, mas com chuva adiamos para amanhã. Então fomos conhecer a redondeza. De guarda-chuva na mão, fazer o que?

Saimos andando e descobrimos que ontem pegamos justamente o lado errado. Se tivessemos saido para a direita teriamos encontrado o monte de barzinho e restaurantinho super simpatico que encontramos hoje, logo do lado do hotel. Com o mapa não, coisa que adoro, saimos em busca da avenida Kufurstendamm, onde teria mais animação. E tinhaaaaaa!!!! As pessoas estavam lá. As lojas estavam lá, inclusive uma C&A. E achamos o lugar onde tomar o tal onibus do city tour.

E quando vimos estavamos diante a chamada “igreja da memória”. A história é a seguinte: havia uma igreja evangelica com uma parte destruida pelas bombas da segunda guerra. Eles iam demoli-la quando desistiram, deixaram como estava e construíram outra do lado. Olha ela ai. A nova é essa torre horrorosa. Dizem que a noite ela fica iluminada de azul e fica linda. Eu duvido…

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Olha um detalhe dela

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Seguindo encontramos o Starbucks. Claro que entramos para um cafe e para checar a internet. O café é semelhante ao de Nova Yorque, mas a internet é paga. Dai que Ylton resolve ir no banheiro e descobre que só pode usar o banheiro se digitar um codigo na porta. Esse codigo esta impresso na nota de compra. Ou seja: só usa o banheiro quem comprar alguma coisa. Será que sempre foi assim ou é coisa da crise?