Visitar Olinda sem carnaval

Não ia a Olinda desde que o Carnaval e a esbórnia deixaram de fazer parte de minha vida, ou seja, desde o século passado. As minhas lembranças da Olinda até então se resumiam a ladeiras, ladeiras, ladeiras. E escadaria de igreja quando o cansaço batia. Olinda é isso, ladeiras e igrejas, mas é muito mais, quando se vai com olhos de prestar atenção na sua beleza colonial.

A primeira coisa que chama atenção para quem visita Olinda e Recife é o contraste do agito de metrópole do Recife e o agito, digamos, alternativo de Olinda. Ficar hospedado em Olinda é acordar com os sinos das igrejas chamando para os ofícios religiosos, é sentar na calçada de tardinha, vendo o povo passar, é ir ali comer tapioca. É outro ritmo, é outra proposta de turismo.

A cidade é cheia de pequenas pousadas instaladas em casarões, algumas com vista linda para o mar ou para Recife. Como são casarões adaptados, não existem apartamentos iguais. Mesmo dentro de um padrão standard, por exemplo, podem existir apartamentos completamente diferentes. O ideal é ver fotos e saber exatamente qual apartamento se está reservando. Quando chegamos à Pousada que haviamos feito reserva, fomos informadas que ganharíamos um upgrade de cortesia para um apartamento luxo. Ficamos felizes e na expectativa de ter um lugar lindo naquele casarão do inicio do século XX. Nada. Era um quarto simples, com duas caminhas de solteiro estreitinhas, um banheiro normal, um guarda roupa de 2 portas e uma mesinha. Ficamos imaginando como não seria o quarto original.

A cidade não tem shoppings, o mais próximo está no Recife, mas se voce quiser comprar coisas bastante originais, existem lojinha de artesãos e artistas em quase todas as ruas. Telas e esculturas, muito boneco do carnaval e uns quadros, na minha apreciação, bastante toscos e feios. No alto da rua da Ribeira está um antigo mercado de escravos, hoje transformado em lojinhas de artesanatos, tambem com uns artigos muito toscos e mal acabados. Não me animei.

Imperdível mesmo é subir as ladeiras até o alto da igreja da Sé. A vista é deslumbrante. A igrejinha é simples e bonita na sua simplicidade. Nas proximidades existem várias lojas de souvenirs e lanchonetes, mas o legal mesmo é o final da tarde quando a praça diante da igreja é tomada pelas tapioqueiras. Um monte de pequenas barracas com mulheres fazendo e vendendo tapiocas com recheios de todos os tipos, doces e salgados. Por 5 reais se pode comer uma gostosura de tapioca com côco e queijo.

Em frente a igreja a prefeitura construiu um mirante, ao qual se chega por um elevador. Um negocio horroroso. Um bloco de tijolo vazado com um elevador ao lado. Um troço que quebra completamente a harmonia das coisas do lugar. Deviam aproveitar que o elevador está quebrado e demolirem logo aquilo.

Toda sexta-feira Olinda tem uma serenata percorrendo suas ruas. Eu tinha visto a serenata de Diamantina, que eles chamam vesperata e que descrevi aqui. Mas a de Olinda trás a inquietação do povo carnavalesco. O grupo Luar de Olinda se concentra na praça em frente a Faculdade de Olinda, a FOCCA, e “esquenta” tocando frevos, e o povo já dançando e cantando. Dai segue pelas ruas e ladeiras tocando boleros antiquíssimos, com uma pequena multidão atrás, cantando. Ouvimos (e cantamos) Núbia Lafayete, Angela Maria, mas tambem ouvimos (e cantamos) Erasmo Carlos e uma versão alinhavada de “Diana”.

 

Come-se bem em Olinda. Talvez tenham restaurantes baratos, mas os que fomos não eram. Mesmo numa tratoria, onde comemos uma massa simples, não pagamos menos que 40 reais por pessoa. Sem vinho. Recomendo principalmente o Patuá Delicias do Mar, que serve uma peixada para duas pessoas, maravilhosa. E cara. 88 pilas o prato.

Mas, a maior surpresa que tivemos foi a coincidencia de nosso fim de semana em Olinda, com a 10a. edição do MIMO!!!!!! Conto a seguir.

 

 

 

 

30a. Bienal de SP: primeiras impressões

A nova Bienal de Artes de SP inaugurou ontem e fomos lá dar uma olhada. Andamos por umas boas 3 horas e ainda não conseguimos ver toda a exposição, mas do que vi fico me sentindo completamente idiota, burra, ignorante. Porque a pergunta que me martela o juízo o tempo todo é “o que é Arte, afinal?”

O lindo espaço da Bienal

Até onde vimos grande parte da exposição se constitui de projeções de pequenos filmes e documentários, fotografias e instalações. Será arte? Por exemplo, fiquei uns 20 minutos em uma sala escura onde se projetava vários documentários sobre os mais variados temas: taxidermia, uma fábrica de jeans, um relojoeiro desmontando e montando um relógio.

Algumas “obras” fiquei horas olhando, sem entender o significado e me sentindo completamente ignorante. Como Arte pode ser entendida como aquilo que nos desperta sentimentos, vai ver que é justamente o sentimento de auto-depreciação que a obra quer alcançar. Olhem alguns exemplos e se souberem o significado me digam, plís.

Dois pegadores de acrílico?
Duas estantes com quadros embrulhados em papel bolha

Aqui o cara recortou manchetes de jornais sensacionalista e os arrumou por ordem alfabética. Vejam que esse é a letra “R”.

E por ai seguia. Até que chegamos a uma sala grande cheia de buginganga. Minha primeira impressão foi “isso aqui é uma feira de mangaio”.

E começamos a olhar mais detalhadamente. E nos demos conta que eram as obras de Arthur Bispo do Rosário. Ai meu coração ficou alerta. E me emocionei vendo aqueles objetos tão toscos, mas tão refinadamente articulados.

Que coisa linda esses botões!

Os mantos e os bordados são belíssimos!

Olha, acho que somente por essa exposição a Bienal já valeu prá mim. Me tocou profundamente, talvez por minha formação, talvez por me lembrar dos preconceitos contra a loucura, talvez por me lembrar da Dra. Nise da Silveira. Enfim, o Bispo do Rosário merecia uma Bienal inteira. Porque, olha quem é ele:

Se quiser ver outras fotos: https://plus.google.com/photos/110120927426990195369/albums/5785836158023707425

A festa de N. S. de Achiropita

Em todos os meus anos de católica praticante já usei aquelas fitas de filha de Maria, já fiz as 9 primeiras sexta-feiras, estudei 4 anos no Maria Auxiliadora, já fui da Juventude Estudantil Católica, enfim, percorri todos os caminhos mas NUNCA tinha ouvido falar de uma Nossa Senhora de Achiropita. Pois tem aqui em São Paulo uma festa que dura todo o mes de agosto, em homenagem a ela. E é uma festa super organizada pela paróquia, que tem até site: www.achiropita.org.br

A festa é tida como a mais tradicional da colonia italiana no Brasil e se realiza em ruas do bairro do Bixiga. E é uma festa para voce se empanturrar de comida. Tem barraquinha de espaguete, de pizza (claro! aqui em SP tem tanta pizzaria quanto tem farmacia em Natal), de foccacia, enfim, todas as massas tradicionais.

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Por mais que voce goste de massas, não deixe de provar o sanduíche de linguiça. Uma verdadeira maravilha! Ai voce vai na barraca de bebidas, pede uma cervejinha e pronto. Perfeito! Os pratos de massa são generosíssimos e custam 8 reais.

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Além de comer, voce pode brincar um pouco nas barracas de tiro ao alvo, pescaria e essas coisas típicas de quermesse. Durante toda nossa caminhada por lá ouvimos nos auto-falantes cantores de musica italiana, mas não conseguimos achar o local onde estava acontecendo o show.

Brechós em São Paulo

Para quem visita (ou mora em) São Paulo e gosta de comprar em brechós (eu AMO!), tai uma lista dos melhores, segundo indicação de Najila Dib: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/1105202-estilista-najla-dib-indica-bons-brechos-em-sp.shtml

1. CAPRICHO À TOA
“Fica em uma discreta viela na rua Heitor Penteado. Vende bijuterias, roupas femininas e masculinas, acessórios e itens para casa. Os preços vão de R$ 6, uma regata, a R$ 200, uma calça de marca.”

R. Heitor Penteado, 1.096, casa 8, Perdizes, região oeste, tel. 2137-5926.

2. BRECHÓ XODÓ
“Vende peças de grifes famosas e desconhecidas, por isso os preços variam de R$ 5 a R$ 700. Destaco os jeans e as camisetas. Também tem sapatos de marcas como Fernando Pires e Daslu.”

R. Dr. Albuquerque Lins, 322, Santa Cecília, região central, tel. 3661-3470.

3. À LA GARÇONNE
“A ambientação de móveis, objetos e arquitetura te leva ao passado. Tem roupas femininas, com destaque para as peças com brilho, bordadas e de couro. Há também variedade de artigos masculinos e infantis. Vale a visita!”

R. João Moura, 395, Pinheiros, região oeste, tel. 2364-3280.

4. B.LUXO
“Tem muitas peças dos anos 1980, de marcas desconhecidas e grifes famosas, e acessórios. Há camisetas, jaquetas, vestidos de paetê e peças de lurex. Os preços vão de R$ 10 para bijuterias a R$ 500 para peças bordadas.”

R. Augusta, 2.393, Jardins, região oeste, tel. 3062-6479.

5. CAMARIM
“Faz compra, venda e troca de roupas, sapatos, bolsas, cintos e bijuterias. Tem cerca de 30 mil peças à venda e outras para locação. O lugar vende marcas como Chanel, Prada, Versace, Gucci e Valentino. O preço vai de R$ 20 a R$ 200.”

R. Antônio de Macedo Soares, 1.554, Campo Belo, região sul, tel. 5543-5304.

Um bar de tapas em Vila Madalena

Desde que fui comer uma feijoada no Pé de Manga que eu estava de olho no Venga!, restaurante espanhol que fica na mesma simpática pracinha da Vila Madalena. Neste fim de semana fomos lá.

O Venga! é na verdade um bar de tapas, com um cardápio cheio de coisas que pareciam deliciosas. O espaço é interessante, com uma “barra” enorme e algumas mesas espalhadas nas varandas.

Como era hora do almoço resolvemos pedir uma das poucas opções de comida em maior quantidade. É assim, o cardápio de tapas é enorme e de pratos servidos no “almuerzo” é um cartazinho com 3 ou 4 opções. A chuleta, nossa primeira opção, não tinha mais (segundo o garçon, as que tinham foram devolvidas pelo chef porque eram muito duras), então pedimos a paella marinara, uma paella somente de frutos do mar. E estava mesmo deliciosa!

Mas o grande barato desse bar são as sangrias. Feitas na sua frente (se voce estiver no balcão, claro), elas podem ser de vinho tinto, branco ou um rosé espumante. Uma delícia que pode lhe deixar completamente “borracho”.

Bom, agora preciso voltar lá para provar umas quantas tapas que “marquei” no cardápio.

Ele fica na Rua Delfina, 196 – Vila Madalena

O Pata Negra brasileiro

Da última vez que estive em Nova York fomos a um bar de tapas no East Village, chamado Pata Negra. Muito legal! Pequenininho (6 mesas, talvez), com uma bela carta de vinhos e umas tapas deliciosas. Dai, quando vi em Curitiba um restaurante chamado tambem Pata Negra, fiquei louca de vontade de conhecer. Minha esperança era que fosse um restaurante espanhol que servisse algo a mais que paella.

Pra começar em termos de espaço, ele não tem nada a ver com o de Nova York. É grande, tem mesas na calçada e uma decoração meio “over”: paredes de tijolinho, candelabros de ferro, vestidos dependurados, cabeças de touros, enfim, algo meio desorganizado, mas nem por isso desinteressante.

 

A carta de vinhos é limitada, os tempranillos espanhois são caríssimos, terminamos tomando um pinot noir chileno. No cardápio, felizmente, tinha mais coisas alem da paella. Comemos uma carne gostosíssima, acompanhada por um risoto de brócolis que estava delicioso.

O restaurante fica na Praça Espanha, um lugar muito agradável, que tem uma feirinha de antiguidades nas tardes dos sábados. Vale a pena um passeio para fazer a digestão.

 

 

O Bar do Alemão em Curitiba

Semana passada estive em Curitiba e procurando um lugar interessante para comer acabamos indo ao Bar do Alemão, no Centro Histórico. Para ser uma choperia o lugar é relativamente pequeno e prá completar, como estava chovendo, uma multidão de espremia na parte interna do Bar. De qualquer maneira é um bar com aquelas características de decoração que se supõe se “tipicamente” alemã: madeira escura nas mesas, vigas idem no teto, fotos de cidades alemãs e daí prá frente.

A comida é também aquela “típica”: salsichas, chucrutes, saladas de batata. O ponto alto mesmo é o chope submarino. Eles servem uma caneca de chope (daquelas “típicas”) e dentro dela vem uma canequinha com steinhagen. Isso mesmo, dentro do chope, o steinhagen. Assim, ó:

Não é interessante? O problema é que não dá prá sair tomando canecas e canecas de chope, sob pena de sair carregado. A vantagem é que voce leva a canequinha prá casa. Não é fofo?

A exposição do Angeli

Angeli, com seus desenhos, marcou prá caramba a minha geração. Rebordosa é a minha preferida, mas que dizer de Meia Oito, o revolucionário, Bibelô, o machista peludo, os Skrotinhos? Geniais! Pois Angeli está em exposição aqui no Centro Cultural Itau.

 

Infelizmente a mostra está confusa, em um espaço muito pequeno, com tirinhas colocadas em locais de absoluta impossibilidade de se ler. Mas vale a pena rever os personagens. Morri de rir com a serie “cartunista velho” e “cartunista em crise”. Sem falar que as entrevistas dele são ótimas.

Senti falta tambem de algo como um espaço para venda de coisas referente a exposição, quem sabe números da revista Chiclete com Banana, ou posteres com alguns dos cartoons. Esses bonequinhos abaixo estavam lá, mas não para venda. Uma pena.

 

Um excelente restaurante grego em SP

No século passado eu tinha conhecido um restaurante grego aqui em São Paulo, levada por meu amigo Cantalice, que desde que cheguei queria me lembrar onde era. Semana passada sai com meu irmão e ele disse “vamos num restaurante grego?”. E para minha grata surpresa era aquele mesmo que eu estava procurando.

Chama-se Acrópolis e fica no centro da cidade (sei que existe outro nos Jardins, mas fomos mesmo no original). É um restaurante pequeno, apertado, barulhento, com aquele tipo de decoração (se é que se pode chamar assim) confusa de um bom botequim, mas a comida, a comida, hummmmmm. Gostosa, farta, variada. No dia que fomos o serviço era interessante: voce se dirigia ao balcão, olhava a comida, dizia o que queria e voltava pra mesa porque o garçom lhe traria. Pode-se pedir uma porção, e faça isso se voce estiver verdadeiramente com a fome de um leão, ou meia porção, que foi o que pedi e mesmo assim não consegui comer tudo.

O cabrito estava divino e apesar de ter ficado de olho na mussaka, não consegui espaço no estômago. Fica prá próxima. O ponto fraco são as sobremesas, pouco convidativas. Mas, por favor, coma a salada que é trazida de entrada. Apesar de ser uma simples salada de alface, tomate, pepino, etc, o tempero é demais! Será que é por conta de umas lasquinhas de parmesão?

O endereço: Rua da Graça, 364 – Sta Cecília / Bom Retiro  São Paulo
(0xx)11 3223-4386

As joias de Thereza Collor

E vou eu passeando pela Av. Paulista dia desses e me deparo com um enorme cartaz: “Joias do Deserto, de Thereza Collor de Melo”. Claro que logo me peguei pensando “o que aquela dondoca esta fazendo aqui? Expondo suas joias?”. Mas logo me lembrei que meu irmão havia me contado que ela é uma viajante exótica, que adora viajar só com sua câmera fotográfica para lugares pouco turísticos. Entrei.

Entrei e me extasiei. São umas 2.000 peças belíssimas de adorno dos povos dos desertos africanos e asiáticos. Coisas inacreditavelmente bonitas como colares, adornos de cabeça, bolsas, brincos, roupas, cintos. Nunca imaginei que povos vivendo em desertos pudessem ter uma arte tão refinada.

A exposição está super bem organizada e é uma verdadeira aula de História. Quem estiver por aqui ou pretender vir, não pode deixar de ver.

GALERIA DE ARTE DO SESI-SP – CENTRO CULTURAL FIESP RUTH CARDOSO
End.: Av. Paulista, 1313 (metrô Trianon-Masp) – Tels.: (11) 3146-7405/06

Até o dia 10 de junho. E quem quiser mais informação, tem aqui