Cambodja: Seam Reap

Apesar de sua maior atração ser Angkor Wat, Seam Reap não é só isso. Na verdade é uma cidadezinha de pouco menos de 200 mil habitantes, mas muito vibrante e animada.

Vale a pena ir ao teatro das Apsaras, um lugar muito bonito, todo em madeira, que é lugar do show e também restaurante. É bem lugar de turista, mas… é o que somos!

Entramos vimos o palco na frente e diante dele mesas compridas com almofadas no chão ao redor. Pensei “ih, não vai dá pra ficar sentada no chão o tempo todo, tô frita”. Quando me sento percebo que há um buraco (bem, “buraco” é um termo muito vulgar para aquele lugar. Um “rebaixamento de piso” fica mais elegante), onde enfiamos as pernas. Ou seja, a mesa é colocada por cima de um piso rebaixado de modo a caber as pernas dos comensais. Mas mesmo assim não tem encosto e foi meio sacrificoso para uma “anciã” como eu e fiquei o tempo todo subindo e descendo as pernas. Ah, e quando baixava, os pés não alcançavam o chão. E olhe que não sou baixinha.

Mas o show foi muito interessante. Eu imaginava que aquele tipo de dança fosse tailandesa, mas como o país foi invadido pela Thailandia por muito tempo, creio que as culturas se mesclaram. Os movimentos são lentos e envolvem principalmente as mãos. E cada movimento dos dedos tem um significado. É como se a historia fosse contada pelo movimento das mãos e pés.

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Um ponto de destaque é a delicadeza como a comida é servida. Aliás, observamos isso em todos os lugares por onde andamos. Um simples arroz, vem servido em cestinhas de palha, uma salada de frutas é servida em folha de bananeira dobrada como uma taça. Além disso, a comida é deliciosa.

Seam Reamp tem uma vida noturna agitadíssima. Há uma espécie de feira ao ar livre, chamada Night Market, cheia de quinquilharia e roupas pra vender, mas no meio do fuzuê existem bares agitados, restaurantes simpáticos, lugares tocando jazz, rock e uma multidão de gente jovem colorida, com um cheirinho de mato queimado característico no ar. Se você é da “night”, não perca esse lugar. Vinte anos a menos e eu teria amanhecido o dia lá  🙂

Cambodja: Angkor Thom e Angkor Wat

Há alguns anos assisti um documentário sobre uma cidade perdida na selva do Cambodja, que havia tido a maior população mundial em sua época (século 9) e que depois o rei havia transferido a sede do reino para outro lugar e a cidade havia ficado perdida por anos. As imagens era de prédios de pedra, em uma arquitetura que lembrava templos, mas com a floresta tomando conta de tudo. Belíssimo, pensei, nunca vou poder ir nesse lugar.

Pois vim! Esse lugar se chama Angkor. Hoje não está mais tomado pela floresta, existem caminhos pavimentados para se chegar lá, muitos dos prédios estão em recuperação, e uma multidão de turistas toma conta do lugar. Mas ele continua belíssimo. 

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Entrada para Angkor Thom. Ponte sobre o enorme fosso.

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Angkor foi a capital do Cambodja por muito anos. Quando o rei a transferiu para Phnom Penh, ela passou a chama-se Siem Reap. E foi aí que nós estivemos.

Angkor tema dois “sobrenomes”: Angkor Thom para as ruínas da cidade como um todo, que é cercada por um imenso fosso e onde viviam os nobres, e Angkor Wat, um imenso palácio de pedra dentro de Angkor Thom, onde vivia o rei. A imagem clássica que vemos em qualquer propaganda da região, aquela com 3 torres, que é, inclusive o símbolo de Siem Reap é de Angkor Wat. Claro que o trabalhadores e camponeses viviam na periferia, fora dos muros de Angkor Thom, em casas de madeira, que foram destruídas pelo tempo, o que faz a gente não ter a menor ideia de como viviam. 

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A minha foto “clássica” de Angkor Wat

O calor era infernal. Nós estávamos sempre procurando uma sombra, um batente de porta, um raminho de árvore, fosse o que fosse para nos proteger do sol quentíssimo, nublado e abafado. Litros e litros de água ingeridos e nenhuma vontade de ir no banheiro, porque o suor pingava da minha cara. Depois vimos umas pessoas com toalhas molhadas no pescoço e achei que era pra melhorar um pouco a quentura. E enxugar o rosto, naturalmente.

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O conjunto é todo muito bonito, mas diferente de Pompeia, não nos dá uma ideia de como era a vida por ali. São muitos templos e/ou lugares dedicados a Buda. As paredes estão repletas de baixos e altos relevos, contando história ou mostrando as apsaras, as bailarinas. Aliás foram os únicos momentos em que vimos figuras femininas retratadas.

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Para mim o lugar mais bonito é onde as construções respeitaram as árvores originais ou as árvores se embrenhando nas construções de pedra. Muito lindo. 

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Segundo o guia esse foi o cenário onde foi filmado Tomb Rider, com Angelina Jolie, que, aliás, tem uma relação especial com o Cambodja porque um dos seus filhos é daqui. 

Afora isso, o Cambodja tem uma história extremamente triste de guerras (a guerra do Vietnam atingiu fortemente o país), e a guerra civil, o terrível genocídio, promovido pelo Kmer Vermelho.