Portugalete e Getxo: super vale a pena

Na região metropolitana de Bilbao, a meros 20 minutos de metrô desde o centro, está a lindinha Portugalete. Havíamos planejado conhecer alguma cidade próxima, para a qual tomaríamos um trem num bate-e-volta. Ouvimos sugestões de Guernica e Balmaseda, mas resolvemos ir a Oficina de Turismo ouvir mais. Até porque o que lemos sobre essas duas cidades não nos animou muito.

(Um parêntesis para dizer que mesmo que você não precise de informação alguma, se puder dê uma entrada na Oficina de Turismo, na Plaza Circular. É linda! Está do lado de El Corte Inglês”)

Pois lá a menina nos sugeriu ir a Portugalete e Getxo. Tomamos o metro do outro lado da rua, pagamos 1,80 euros e fomos.

(Outro parêntesis para dizer que o metrô de Bilbao é impressionantemente moderno, limpo, bonito. E que, se viajar por ele, não jogue fora o bilhete porque você vai ter que usá-lo para sair da estação de destino.)

Portugalete e Getxo são duas cidades vizinhas, separaras pelo início da ria que desce até depois de Bilbao, e unidas por uma ponte “colgante”, que é uma das atrações do pedaço. Estão na costa do mar da Cantábria e, imagino, no verão deve ser uma loucura. Como praia, obviamente, não chegam nem as pés das nossas, logo, nada a dizer.

Mas Portugalete é um encanto de cidadezinha, com seu casco histórico medieval, becos e ladeiras. Fundada no século XIV, a cidade foi de fundamental importância para o escoamento pelo mar das produções de Bilbao. Nessa época era uma cidade murada, mas praticamente nada restou.

A grande atração – e realmente é muito interessante – é a chamada “puente colgante”. Trata-se de uma ponte onde as pessoas e os transportes não passam por cima dela, mas são transportada em um enorme vagão suspenso por cabos, que deslizam de um lado a outro, a poucos metros do nível da água. Também chamada de Puente Viscaya, ela foi inaugurada em 1893 e é a primeira deste tipo a ser construída. O vagão tem espaços laterais para as pessoas e para os carros no vão central. Paga-se 0,40 centavos para ir de um lado ao outro.

Em Getxo a grande atração é um passeio pela beira mar, onde estão as mansões dos ricaços. Pensávamos que eram tipo casas de veraneio, mas são construções de 3 ou 4 pisos e ficamos sem saber se moram varias famílias ou se somente uma. A praia tem um pequeno atracadouro completamente cheio de barcos, o que nos sugeriu que de fato ali é o lugar da burguesia. Demos um rolé rápido e pegamos o “colgante” de volta para nossos becos.

Ah, essa ponte tem uma história triste:

Como descemos muito até chegar a orla, ficamos pensando como iríamos penar na subida daquele monte de ladeiras. E aí tivemos a agradabilíssima surpresa de encontrar esteiras rolantes durante toda a subida! Que maravilha!

Enfim, Portugalete vale muito a pena ser visitada. Está pertinho de Bilbao, é barato chegar lá e a cidade é muito gracinha. Ah, e se come bem e barato. Nosso menu – risoto de lagostim, um pescado grelhado e uma torta de queijo de sobremesa, mais 1/2 garrafa de vinho e água – custou 12 euros.

Com chuva, mas sem desanimar

Chuva pode ser um grande inimigo de quem viaja, mas quando não dá pra esperar passar ou quando se trata de intrépidas viajantes como nós, o jeito é encarar. Sombrinha na mão, calcei minhas botinhas imitação da Ugg, que custou 18 euros em Roma, e fomos embora. O plano era bater perna no centro histórico e comer na Plaza Nueva.

A chuva estava quase uma tormenta. Ruas empoçadas. Minhas pobres botinhas não deram conta, e a pior coisa é um pé com meia molhada. Resisti, mas não tive outra opção que não fosse comprar um sapato que aguentasse a água. Vimos e experimentamos varias botas, mas quando perguntávamos ao vendedor se poderíamos enfrentar a chuva, todos foram unânimes: “para mucha lluvia lo único que resiste es bota de goma”. Ou seja, galocha de plástico! Claro que não ia comprar um troço desse, nem a pau. Terminamos achando uma de couro, por um preço bastante razoável, que tem resistido, desde que no auge do aguaceiro a gente se enfie na primeira loja que aparecer.

A Plaza Nueva ou Plaza Barria (em Euskera), é aquele estilo da Plaza Mayor, de Madrid: um imenso retângulo cercado de edificações, com alguns locais de acesso. Bom, ela não é tão grande nem tão bonita quanto a de Madrid, mas o “espírito” é o mesmo. Em todos quatro lados, inúmeros pequenos bares de pintxos, cheios de gente, o povo bebendo do lado de fora, não só porque os lugares são muito pequenos, mas porque as pessoas fumam, e como fumam!

Seguindo a tradição entramos em um, pedimos nossos pintxos e “una caña”, que é como chamam o chopp. Comemos e bebemos e fomos noutro continuar a farra. Pedir o vinho, tudo bem, você só tem que escolher entre tinto ou branco, porque é sempre o “da casa”, mas pedir os pintxos é complicado. São muitos, com “caras” ótimas todos e sem a gente saber exatamente o que tinha naqueles enormes canapés. Escolhi sempre pela cara. Olhava, gostava do jeitão, pedia. Em um dos bares pedimos tortillas e aí foi mais fácil. Tinha até uma inusitada tortilla de carbonara!

O legal de você beber quando chove é porque você sai do bar, bate um vento frio na cara e toda a possível bebedeira desaparece.

À noite ainda fomos comemorar meu aniversário no Café Iruña, um tradicional lugar no Parque Jardins de Albia. Foi um dia mesmo dedicado aos prazeres da mesa.

Quando as coisas não dão muito certo

Na direção oposta ao centro histórico está a estrutura mais moderna e desconcertante de Bilbao. De certa forma chocante também, porque olhar para o Museu Guggenheim, com sua complexa estrutura de titânio reluzente, e do outro lado da ria olhar para o casario antigo, é uma viagem no tempo. O Guggenheim não sei dizer se acho lindo, se acho impactante, se acho feio. Com certeza não sinto muito confortável em olhar pra ele. Mas o que com certeza se pode dizer é que é uma obra de arte arquitetônica. E do lado de fora as duas esculturas expostas também são desconcertantes pelo contraste: de um lado o “Puppy”, um cachorro esculpido em plantas e do outro a enorme aranha de aço, a “Maman”.

Ainda não o visitei, não vi suas exposições. Tenho muita dificuldade com a arte contemporânea, apesar de apreciar bastante a moderna, mas tenho curiosidade de ver algumas obras que estão lá. Vamos ver se vai dar pra ir.

Em alguns poucos minutos caminhamos até o funicular de Artxanda, que nos leva, numa viagem de 3 minutos e ao preço de 95 centavos, ao monte do mesmo nome. A informação era que de lá se tinha uma bela vista da cidade, mas demos azar. O miradouro estava em obras e o dia estava bem chuvoso, dai que vimos uns pedaços da paisagem, mas nada de espetacular. O lugar em si é bonito, tem um belo parque, moradias, um restaurante chic, mas com a chuva não deu, foi um bate e volta mesmo. Para nós foi a “furada” do dia.

Dai rumamos para os becos do centro histórico, em busca de um lugar pra comer. Foi outro erro, devíamos ter voltado ao Mercado da Ribeira, porque entramos em um lugar referido pelo Trip Advisor que nos decepcionou. Comida sem graça, vinho mais ou menos.

E continuava chovendo…

Pra compensar, na volta pra casa enchemos a cara com chocolate quente e espesso, e churros deliciosos. Duas mil calorias, numa boa! 😄

La movida em Bilbao

Pois ainda tivemos disposição para sai à noite, podem crer! Saímos e constatamos que o agito noturno mora do nosso lado, na Calle Ledesma, a dois passos do nosso hotel. São assim uns três quarteirões exclusivos para pedestres, com bares e restaurantes de um lado e do outro e mesas no meio da rua. Um frio de 9 graus e o povo na maior animação, bebendo e comendo pintxos e bocadillos. E fumando, claro.

Encontramos um lugar um pouco mais tranquilo, pedimos um bocadillo de Parma e queijo, uma taça de Rioja e ficamos lá papeando e ouvindo Fred Mercure, cantando “I was born to love”. Animadas perguntamos à menina que nos servia se conhecia Fred Mercure. Ela fez uma cara de desprezo e disse “acho que quando nasci ele já tinha morrido”. A velhice nos bateu pesado.

Ainda demos uma andada pela Gran Via e fomos dormir.

Bilbao, o antigo e o moderníssimo

Basta um primeiro passeio por Bilbao para a gente já se encantar. Ficamos em um hotel a meio caminho entre a extrema modernidade do Museu Guggenheim e o casco histórico, podendo-se ir a pé de um lado a outro. Como é mais do que sabido, adoro becos, logo naturalmente rumamos na direção do centro antigo. O objetivo do dia era que o passeio nos levasse até o Mercado da Ribeira, onde almoçaríamos.

Depois de me munir de um chip de telefone e dados daqui – 10 euros, 3 Gb, no “El Corte Inglês”, numa promoção ótima – seguimos. Bilbao não tem rio, tem ria, um braço de mar que avança terra a dentro, cortando toda a cidade. Como em toda cidade civilizada, as margens da ria são transformadas em um imenso espaço público, com praças, parques para crianças, banheiros públicos, obras de artes. Do outro lado do parque pequenos edifícios lindos nos fez ter inveja de que mora por ali. Com uma temperatura de 11 graus e um sol tímido foi uma delicia caminhar.

Mas aí o inesperado nos fez uma surpresa: uma feira de artesanato aparece no nosso caminho! A Gabon Art. Ó céus! E é daquelas feira em que o próprio artesão está ali, lhe mostrando seu produto, explicando como faz, puxando conversa. Coisas belíssimas, originalíssimas.

 

E já aí aprendemos sobre a flor símbolo basco, a Eguzklore, ou flor do sol, que aparece representada em varias produtos: broches, pendentes, brincos, quadros de madeira. Diz a lenda que a Eguzklore era pendurada na porta de entrada das casas para protegê-las dos maus espíritos. Os espíritos chegavam pra levar as crianças, mas precisavam adivinhar quantas pétalas tinham a flor. Como não sabiam contar, se perdiam e não levavam as crianças. Tem como não levar uma para casa?

Infelizmente (ou felizmente!) a feira fecha para o almoço às 13 hs (volta a abrir às 17) e tivemos que seguir caminho até o Mercado da Ribeira. E aí, é o seguinte: guarde toda a sua fome para se deleitar nesse lugar. Não pense que vai encontrar restaurantes formais, com menus e pratos normais. O lance ali são os pintxos, que são pequenas porções de coisas deliciosas, normalmente servidas sobre uma pequena fatia de pão. Para ter uma ideia, comi uma coisa deliciosa que tinha: a fatia redonda do pão, uma fatia de presunto de Parma, uma rodela generosa de queijo de cabra e uma geleia de cebola e frutos vermelhos! Aí vc pede uma taça de vinho e paga por isso tudo 3 euros, sendo que o vinho é mais barato que uma garrafinha de água. O Mercado tem um monte de lugares, com suas especialidades e o legal é você ir comendo de um e de outro, provando de tudo. Alguns lugares servem porções de paella ou de pizza, mas, vá por mim, esqueça essas coisas corriqueiras, coma pintxos. Muitos. Variados. E beba Rioja ou cervejas artesanais. Programa absolutamente imperdível!

Depois da comilança nos restou bater perna pelos becos da cidade antiga. Infelizmente (ou felizmente) era hora da siesta do comércio e quase tudo estava fechado. Mas deu pra perceber lugares muito interessantes, com o povo bebendo (e fumando!) nas calçadas. Voltaremos.

Comendo na Andalucía

Já tive meu tempo de viajar e comer sandubas e buscar os lugares baratinhos. Mas também nunca cheguei ao ponto de só comer em lugares que estejam no guia Michelin ou coisa parecida. De uma maneira geral, no meio da batida de perna pela cidade, olhamos pra um lugar e decidimos comer lá. Tem que ser um lugar simpático, de preferência pequeno e que nunca, mas nunca mesmo, tenha o cardápio com fotos enormes dos pratos na porta. Nesses, nem olho. Detesto isso, porque, obviamente, é um engodo. Também, tal qual minha nora, não gosto quando tem o termo “gourmet” no nome. Me parece boçal. (Na verdade esse tipo de coisa acontece mais no Brasil e parece ser modinha gastronômica). Ah, e se tiver cadeiras de metal ou televisão ligada, nem pensar!!!

Alem de lugares pra comer encontrados de modo causal, algumas vezes consulto o aplicativo Yelp ou o Trip Advisor, que dá dicas de lugares perto de onde a gente está. Mas é preciso cuidado porque as indicações são ranqueadas de acordo com a opinião dos visitantes, e você não pode ter certeza que eles gostam das coisas como você gosta. Enfim, prefiro a intuição. Às vezes nos damos muito mal, mas temos tido surpresas agradáveis.

Claro que quando se viaja, faz parte conhecer a gastronomia local. Você não vai querer comer feijoada em Zagreb, né não? E ai começa o problema de olhar pro cardápio e saber o que é o que.  No primeiro dia que chegamos a Córdoba entramos no El Caballo Rojo mortas de fome. A senhorita nos apresentou o cardápio e foi explicando o que eram as coisas. Estávamos cansadas, havíamos acabado de chegar de viagem e pedimos sugestões.Ela nos sugeriu salmorejo andaluz, “que estava muy rico” e carrillada de ternera. Minutos depois ela nos trás uma sopa fria cor de cenoura e algo que parecia uma carne guisada cercada por batatas fritas (universal, arre!). Ficamos olhando e nos pareceu que aquilo era como um paté mole, pra se comer passando no pão. Assim, fizemos. Detestamos o tal salmorejo. Depois viemos a saber que ele é primo do gazpacho, é feito com tomate, azeite e miolo de pão e é que pra se comer com colher e não passando no pão! Por outro lado a carninha guisada estava divina.

E os preços? Bom, em quase todos os lugares que comemos, o cardápio vem com a opção de meia ração ou ração. A meia ração são as tapas, que se pede mais de uma e geralmente se compartilha. A ração é o prato maior. Sempre pedimos meia ração e compartilhamos, com idéia de conhecer o máximo possível. Pois, se fizer assim, não sai caro. Geralmente pedíamos uma “ensalada” e duas meia porções, mais duas taças de vinho da casa e “algo de postre” (sobremesa), e pagávamos cerca de 20, 20 e poucos euros. Para se ter uma idéia, taí abaixo um cardápio como exemplo

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Para mim a melhor comida espanhola é o rabo de toro, que, na verdade, começou a ser feito em Córdoba. Não tem nada igual e tem muito pouco a ver com a nossa rabada. Primeiro que a carne é quase que completamente sem gordura, depois que a maneira como fazem inclui temperos que não incluímos aqui, como gengibre, por exemplo. E a carne é cozida no vinho!

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Comi rabo de toro em vários lugares, mas se tivesse que escolher o “the best”, diria que é o do “El Rincón de Carmem”, que alem de fazer uma comida deliciosa, é um lugar muito simpático.

Uma outra coisa interessante que conhecemos lá foi um prato feito com berinjelas em fatias finas, empanadas, fritas e com melado de cana de açúcar por cima. Fica muito gostoso pra acompanhar carne, por incrível que pareça.

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Uma sobremesa tradicional é “la leche frita” (leite é feminino, em espanhol). Não comemos, mas vimos a receita.

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Na despedida de Sevilla, a chuva

E voltou a chover no nosso último dia. Era domingo, um dia que deveria por lei ser sempre de sol. Mas não era. Estava chuvoso, com aquela garoa irritante e o céu encoberto. Bom, que fazer? Aproveitar mesmo assim.

E fomos conhecer o Centro de Andaluz de Arte Contemporânea, que funciona em um antigo convento dos monges cartuxos, que era (ou é? não sei se ainda existem) uma ordem solitária e contemplativa. Conta a história que mesmo antes de o espaço ser um monastério, era um lugar de fabricação de cerâmica, e que um dia encontraram uma imagem da virgem em uma das covas e resolveram construir uma igreja, que depois se transformou em monastério, regido pelos Franciscanos. É interessante como essa história de se encontrar uma imagem sempre se repete.

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Em final dos anos 90 do século XX o espaço é transformado em Museu de Arte Contemporânea e recebe exposições de todo mundo.

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Bom, não sou a melhor pessoa para apreciar arte contemporânea. As instalações não me dizem nada, ao contrário, me fazem rir do ridículo que muitos deles me parecem. Então, me vi apreciando apenas a estrutura do prédio e o que resta da antiga decoração interior do convento.

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Depois saímos para visitar a feira de artesanato (onde comprei uma bolsa lindona! hehehehehe). A cidade, mesmo na chuva e de ser domingo, estava cheia de gente andando pelo comércio das ruas. E, de repente nos deparamos com uma estrutura absolutamente moderna e contrastante com o que existia ao redor: o Metropol Parasol, mas conhecido com As Setas. É uma construção belíssima, de onde se tem uma vista da cidade. Não subimos, fica prá próxima.

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E assim nos despedimos de Sevilla, esperando voltar para um pouco mais de tempo. Hoje pegamos um ônibus para Madrid, onde pernoitamos e amanhã voltamos pra casa.

Sob o sol de Sevilha

E fomos agraciadas pela natureza. O sábado amanheceu radioso. Sol e frio de 17 graus, a combinação mais maravilhosa que um viajante pode esperar. Ou pelo menos a viajante aqui que vos fala.

E sob o sol, Sevilha tem outros ares. E permite que se desfrute com mais tranquilidade sua beleza. Saímos à pé, passeando pelo Parque Maria Luisa, seguindo pela Praça Espanha. A praça é uma imensa construção em semi-arco, com fontes e lagos no meio. E nesse semi-arco existem murais em azulejos de todas as províncias da Espanha, dispostas em ordem alfabética. De modo que se você quiser fotografar alguma cidade em especial, cuide de entrar na praça pelo lado certo. Eu queria fotografar Sevilha e Valência, mas entrei pelo início do alfabeto.

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É tudo muito bonito, mas confesso que, para mim, me parece um excesso de informação visual e estética. É como se quisessem mostrar tudo em um único momento.

Essa característica meio que se repete em outras construções. Um pouco “over” para o meu gosto. Prefiro a riqueza delicada dos detalhes dos mouros.

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As ruas estavam cheias de gente. Impressionantemente cheia de gente. Uma coisa interessante que se observa em toda a Espanha, mas que parece que aqui é mais, é o hábito de se beber em pé, seja no balcão dos bares, seja naquelas mesas altas, com bancos altos, mas que ninguém se senta, todos ficam em pé ao redor dela. Pois com o sol, foi como todos saíssem de suas tocas e fossem para os bares beber cerveja, fumar e conversar. Passamos pela Praça do Salvador e era uma verdadeira muvuca. E no meio de tudo isso, passava, passivamente, uma procissão. Rimos muito.

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E depois nos perdemos pelos becos, mais uma vez. Sevilha é uma cidade grande, com avenidas largas (um chamada de “Paseo de las Delícias”, que me pareceu maravilhoso!), muitos parques e jardins, mas nada como os becos. Sem simetria, sem lógica, bom de se perder. Sevilha é uma cidade ocre. Os prédios tem uma predominância de cor de tijolo, ou marrom ou avermelhado. E ai observamos uma diferença com os becos de Córdoba, que são brancos brancos, com janelas ou portas azuis e vasos azuis com flores.

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Nesses becos há uma mistura de comércio antigo, velhos armarinhos, lojas de chapéu, luvas, e o comércio internacional, como o Rituals, o Lush e a infalível H&M. E, particularmente nesse dia, as ruas estavam absolutamente lotadas de gente. As lojas com “rebajas”, entupidas de gente. Parece que a crise está grande aqui também 😀

E a noite cruzamos a ponte do rio Guadalquivir e fomos conhecer o bairro de Triana, antigo lugar donde viviam os ceramistas e os ciganos, hoje transformado em bairro boêmio, cheio de bares e restaurantes. É um bairro muito bonito, que nos lembrou Trastevere, em Roma.

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Sevilla, primeiras impressões

Amo a chuva. Amo o cheiro de terra molhada, amo o barulho da chuva caindo, amo olhar para fora e ver o mundo cinzento. Mas não há coisa pior para um viajante. Todas as imagens que fazemos das cidades inclui dias lindos de sol, mesmo (e principalmente, para mim) que faça frio. O céu azul, as nuvens claras, a luz do fim da tarde, tudo isso é o que se espera de fotos de viagem. Nada mais desestimulante do que sair para bater perna e ter que levar um guarda-chuvas, e ter que pular as poças d’agua, e ter que se esconder das chuvas mais fortes.

Pois foi o que, até agora, encontramos em Sevilla (vou escrever assim, com a grafia em espanhol, porque sou boçal hehehehe), desafortunadamente. Viemos de Ronda em um ônibus, que nos trouxe em um pouco menos de 2 horas de viagem e pelo qual pagamos 12 euros e alguns centavos. No meio do caminho o tempo foi mudando e ao chegarmos estava tudo cinza. Sem chuva ainda, mas com nuvens muito carregadas.

A casa da amiga onde nos hospedamos fica muito perto do Parque Maria Luisa, lindo, enorme e cheio caminhos, pequenos lagos, caramanchões e pombos. Lá funcionam museus e a famosa Plaza Espanha, que ainda não fomos conhecer. E quando estávamos no meio do passeio, esmiuçando tudo, começa a chover. Argh!

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Museu de Artes e Cultura Populares

Já de guarda-chuvas em punho, tomamos o rumo do Centro com nossa amiga espanhola, comer umas tapas e tomar umas copas, porque mais tarde teríamos o nosso jantar de ano novo. A onda é sair de bar em bar, bebendo e comendo, mas, como era véspera de ano novo, havia muita coisa fechada. Mesmo assim, fomos em dois, conhecidos da nossa amiga. Estavam lotadíssimo. São lugares onde se bebe em pé, junto ao balcão e são peculiares, como os nossos botequins que antigamente. A mim lembrou muito os botecos do Rio de Janeiro.

E, apesar da chuva já foi possível ver as belezas arquitetônicas do centro de Sevilha. A catedral imensa e bastante gótica e a famosa Giralda, uma belíssima torre-campanário, que foi construída como minarete de uma antiga mesquita e depois, acima dela, foi construído o campanário para servir à igreja católica. É possível ver perfeitamente as diferenças de estilo na construção.

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Aqui como em Córdoba, as laranjeiras cheias de frutos estão por toda parte. É uma coisa muito bonita de se ver. Desta praça temos uma visão muito legal, com a Giralda ao fundo.

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Seguiremos. E espero que o céu colabore.

 

 

Um pouco mais de Ronda

No nosso último dia resolvemos não subir os mais de 60 degraus e conhecer as cercanias de nossa linda Pousada, que fica fora das muralhas da cidade e vizinho aos Banhos Árabes, uma das atrações da cidade. Fomos conhece-los.

É um lugar muito interessante e ainda preservado desde os tempos mouros. Era um lugar de encontros sociais, de purificação para as orações, de cuidados com o corpo que incluía um amplo salão para massagens, sauna úmida e seca, piscinas, e era frequentada, claro, só por homens.

Mas, o mais interessante e engenhoso era a maneira como eles faziam essa sauna funcionar. Acima de toda a construção há um mecanismo que trazia água do rio que passa por baixo, sob a forma de um moinho d’agua de muito metros de altura, movido por um pobre de um jumentinho que passava todo dia andando em círculo, coitado. Essa água era jogada em uma canaleta que a levava até uma fornalha – alimentada por um escravo humano, que ficava o tempo todo jogando lenha. A água quente circulava pelo piso, soltando fumaça nos quartos da sauna e agua quente para as piscinas. Abaixo o que restou do poço. Olhar pra baixo dá vertigem.

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Dos Baños se tem tambem uma bonita vista da ponte árabe.

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Saindo dos Baños, passeamos ainda um pouco seguindo pelo lado de fora das muralhas, mas o tempo não permitiu ir até a parte de cima por esse lado. Fica prá próxima.

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