Hudson Yards e o Vessel

Mesmo para quem nunca veio a Nova York a ilha de Manhattan é facilmente reconhecida pelos seus arranha-céus (ainda se usa essa palavra?) que parecem estar em toda parte. Manhattan é sem dúvida a maior “estrela” nos filmes e séries de TV norte-americanos. Então, é de se imaginar que não exista mais espaço para se construir novos prédios. Lêdo engano.

Desde 2012 um imenso projeto imobiliário toma conta de uma região na margem do rio Hudson. Sobre um conjunto de linhas férreas construi-se uma “plataforma” e sobre ela se começou a erguer imensos e moderníssimos edifícios. As linhas férreas continuam lá, subterrâneas, e “ganhou-se” o espaço em cima delas. Hoje, 7 anos depois, o perfil da área já está bastante modificado, com prédios imensos e arquitetonicamente bonitos. Mas o projeto não está terminado, vários deles ainda estão subindo. E a região é chamada Hudson Yards.

A menos que você seja arquiteto, você não vai ao Hudson Yards para ver os edifícios. Você vai para ver o Vessel, que foi inaugurado em março deste ano de 2019. Pode-se definir o Vessel como uma grande escadaria, do tamanho de um prédio de 8 andares, em forma de colmeia. Mas eu prefiro vê-lo como uma belíssima escultura sob a forma de 154 lances de escadas. É uma estrutura impressionante! Por 10 dólares você pode subir os 2.500 degraus e apreciar a cidade em todos os seus ângulos. Talvez valha a pena. Eu me contentei em aprecia-lo de baixo. O tom bronze de seu revestimento, com a incidência do sol tornando meio dourado, foi de me deixar de queixo caído.

Então, o Vessel é isso, uma escadaria de onde se pode apreciar a paisagem. Mas, a idéia é que ao seu redor existam restaurantes, casas de espetáculos, bares e cafés. Já existem alguns, mas por enquanto o que chama a atenção é o shopping de luxo que está ao seu lado: o Hudson Yards Mall. Quer dizer, quando você chega na entrada, toma um susto porque as lojas são daquelas que podem lhe cobrar até para ver as vitrines. Coisa tipo Dior, Rolex, Cartier, Patek Philippe. Desesperada para usar o banheiro, entrei assim mesmo. Pensei que pelo menos eu veria como era o banheiro de um shopping de luxo. E ai no segundo e terceiro andar encontro a Zara, a H&M, a Uniqlo, e vejo que até eu poderia comprar alguma coisa aqui, desde que não fosse no andar térreo e no primeiro andar. Então, além de usar o toalete (absolutamente normal, por sinal), ainda pude, do terceiro andar, observar melhor o Vessel, o que me rendeu esse foto anterior.

Mas, a melhor coisa desse Mall está no seu primeiro subsolo: o Little Spain Mercado. Você desde uma escada rolante, dobra em um corredor, e de repente está em um daqueles mercados típicos europeus, onde se vai mais para comer do que para comprar comida. Vários boxes e espaços de comidas típicas espanholas, inclusive com especificação da região da Espanha. E, é claro, lugar para tapas e pinchos e vinhos e pão com tomate e jamon serrano. De dar água na boca. Então, sugiro fortemente que você visite o Vessel, tire fotos, e depois entre no shopping e vá direto tomar una copa de rioja con unas tapas de pescados. O passeio ai fica completo.

O Met para além da 5a. Avenida: o Cloisters

O Museu Metropolitano de Nova York – o Met – é quase que uma visita obrigatória para que vem a essa cidade. É lindo, é enorme, tem de tudo, e está sempre muuuuito cheio de gente. Mas, de tanto expandir seu acervo, o Met precisou também expandir-se fisicamente. Assim, além desse existem outros dois Mets: o Cloisters e o Breuer. Fui visitar o Cloisters.

É uma viagem para ir até o Cloisters para quem está no Brooklyn como eu. São 20km desde minha casa. Mas, se você não se incomodar de passar uma hora dentro de um metrô, a viagem é tranquila. A linha A te deixa praticamente na porta. Bem, mais ou menos, porque até chegar lá você vai percorrer um parque enorme e lindo durante alguns bons minutos. Mas isso só lhe prepara para o que você vai encontrar lá em cima. Sim, o percurso é uma subida.

O Cloisters (Claustro, em inglês) como o nome indica é um antigo monastério beneditino, construído em uma colina no meio do parque Fort Tryon. E, também como era de se esperar, sua especialidade é a arte medieval, sejam esculturas, tapeçarias, pinturas, peças de arquitetura e ornamentos.

Não fosse pelas obras, o lugar é lindo. Com aquela atmosfera monastérica de paz, jardins internos, e uma linda vista para o rio Hudson. Outra grande vantagem é que como fica mais distante, não há multidões como na 5a. Avenida.

O que mais me impressionou foi a chamada Sala do Unicórnio porque aprendi o que significava esse ser mítico na época medieval. Por ser identificado com a pureza e a capacidade de cura e milagres, o unicórnio era, na Igreja Católica da época, identificado com Virgem Maria (pela pureza) ou mesmo com Jesus (pelos milagres). Há uma sala de tapeçaria dedicada a ele, mostrando como foi perseguido e preso. São trabalhos enormes e lindos.

Assim, vale a pena fazer a “viagem” até o Cloisters e mesmo que voce não curta arte medieval, com certeza você vai gostar do lugar, sobretudo se tiver a sorte de um dia de sol e temperatura de 14 graus.

Outono na Nova Inglaterra: White Mountain National Forest

A Nova Inglaterra é famosa pelas suas paisagens outonais. Alguns acham que é mais bonito em Vermont, outros em New Hampshire. Nós escolhemos a Kancamagus Highway, uma estrada que sai de Conway e entra na Floresta Nacional White Mountain, no estado de New Hampshire. A impressão que me deu foi que essa estrada foi traçada para que se pudesse apreciar a incrível beleza da “fall foliage”, que é justamente a mudança da coloração das folhas das árvores, tomando belíssimos tons que vão do amarelo ao vermelho vivo. Viajar em busca dos melhores lugares para a “fall foliage” é uma coisa tão séria que a cada ano as autoridades no assunto traçam mapas de onde será mais bonito e em qual período do outono. Por exemplo, o desse ano de 2019 foi esse aqui:

Esse mapa mostra a previsão para o dia 5 de outubro. Fonte: https://www.afar.com/magazine/plan-your-fall-getaway-with-this-peak-foliage-prediction-map

A Kancamagus Highway, durante grande parte de seu percurso, vai margeando o Swift River, um riachinho pedregoso e cheio de curvas, que parece estar ali para compor a paisagem para as fotografias. Durante todo o trajeto da estrada há miradouros nos pontos mais estratégicos. Em alguns se pode encontrar uma cafeteria e banheiros públicos.

Em cada miradouro que paramos a beleza era mais impressionante. A variedade de tons, inexplicável para uma leiga. Confesso que fiquei curiosa em saber por que algumas árvores mudam de cor mais rápido, por que umas são amarelas e outras quase vinho, sem falar nas vermelhas, para mim as mais lindas. Lembrei do conto de Galeano quando o menino viu pela primeira vez o mar e pede para o pai o ajudar a ver, tal a imensidão. Pois eu também quase peço para alguém me ajudar a olhar, porque não é coisa para uma só visão.

Nessa estrada existem também algumas trilhas, onde se pode apreciar as árvores mais de perto e pequenas cachoeiras. Paramos nessa daqui:

Na White Mountain nos hospedamos em Jackson, uma cidade pequena e curiosamente já decorada para o Halloween. O Hotel é estilo “condo”, como eles chamam, ou seja, com casinhas espalhadas por imenso terreno. E as árvores dele também não nos decepcionaram. Estavam deslumbrantes.

Como são lugares bastante turísticos, há bons restaurantes e cafés. E há uma ponte coberta, que nos lembrou As Pontes de Madison, o filme. Infelizmente não consegui fotografar, mas mostro uma foto retirada do site https://newengland.com/today/living/new-england-nostalgia/new-england-covered-bridges/

Enfim, essa foi a minha experiencia com o outono da Nova Inglaterra. Tão impactante quanto foi me deslumbrar com a aurora boreal.

Outono na Nova Inglaterra: Portland

Pegamos a estrada de manhã cedo porque o percurso de Newport a Portland, já no Maine, é de quase 3 horas e meia. Como sempre as estradas são ótimas, duplas, planas, sem buracos e bem sinalizadas, o que torna a viagem muito tranquila mesmo com tanto tempo de rota. Estávamos seguindo rumo ao norte/nordeste, regiões já mais frias. E começamos a encontrar árvores com folhas amarelando. Eu já excitadíssima, querendo parar o carro, fotografar, colher algumas folhas. Nem tinha ideia do que ainda me esperava.

Pra começar Portland é a cidade natal de Stephen King e para quem gosta de seus livros isso já é um atrativo. Apesar de ele não viver aqui, sempre fica a lembrança de que vários dos seus livros são ambientados no Maine. É também a cidade mais populosa do estado e conhecida pela sua arquitetura de casinhas de madeira, coloridas, dando um ar antigo ao centro da cidade. Por ser uma cidade litorânea, a culinária é basicamente de frutos do mar, com destaque para a lagosta. Normalmente não gosto desse crustáceo. Para mim tem gosto de areia e, na minha terra, prefiro mil vezes o camarão. Mas tinha que provar a daqui e gostei muito. A carne é mais firme, mais avermelhada e definitivamente não tem gosto de areia. E se você gosta de cerveja aqui também é o lugar, com várias cervejarias artesanais.

Aqui tivemos uma previa do que iriamos apreciar do outono logo em seguida. Algumas árvores já estavam avermelhadas, em meio a outras ainda verdinhas. E é bem interessante a gente imaginar por que será que umas avermelham mais rápido que outras.

Essa região a seguir é o Fort Allen Park, um parque muito bonito, na baia de Casco, que basicamente homenageia certos artefatos navais importantes historicamente, como o mastro do navio US Portland, que participou de varias batalhas na II Guerra Mundial. Eu, de minha parte, esqueço esses ufanismos americanos e me atenho a beleza do lugar.

O nosso destino a seguir foi New Hampshire, particularmente um estrada que nos levou até a região de White Mountain. E é ai que esta todo o deslumbramento. Que merece um post especial.

Outono na Nova Inglaterra: Newport

De volta aos Estados Unidos, no comecinho do outono, planejamos desta vez um percurso pela Nova Inglaterra, famosa pelo belo colorido das árvores nesse período. A Nova Inglaterra é uma região no nordeste dos EUA, que inclui os estados de Maine, Vermont, New Hampshire, Massachusetts, Connecticut e Rhode Island. A mudança nas cores das árvores nessa região é tão intensa que se tornou um verdadeiro roteiro turístico. Muita gente na estrada para ver e fotografar o “fall foliage”, como é chamado.

O passeio fica muito mais interessante feito de carro, por estradas secundárias, que permita se parar a cada “oh, que coisa linda é essa”. Assim fizemos, escolhendo um roteiro que, saindo de Nova York, incluiu pernoites em Newport, (Rhode Island), Portland, (Maine) e Jackson, (New Hampshire). E no meio disso parando em lugares lindos, fazendo pequenas trilhas florestas a dentro, se embasbacando com paisagens inimagináveis para uma brasileira nordestina acostumada a ver somente duas estações no ano: chuva ou sol torrando.

A primeira parada foi em Newport, a 3 horas e meia de Nova York. Newport foi famosa por ser a praia onde os realmente ricos tinham suas mansões de verão. Quando falo realmente ricos não estou falando dos riquinhos-celebridades que veraneiam nos Hamptons, como Spielberg. Estou falando dos ricos-ricos tipo Downton Abbey, dos ricos de raiz. Por isso o grande programa em Newport é conhecer os lugares em que essas pessoas passavam apenas o verão. Eles chamam mansões, eu chamaria verdadeiros e impressionantes castelos. Visitamos dois deles, ambos da família Vanderblit.

Andando por esses aposentos o pensamento que me invade é como que alguém pode viver num lugar desses. Quão ricos podem ser a ponto de ter esse lugar para morar apenas por alguns meses. Claro que vimos apenas o que o caminho de visitas permitiu. Alguns acessos estavam bloqueados e, curiosamente, eram justamente os acessos aos espaços da criadagem. E mais curioso ainda é que as escadas vão ficando mais estreitas e íngremes a medida que se vai chegando a eles.

Visitamos apenas duas dessas mansões, mas elas estão em toda rua, seja na margem que dá pro mar, seja na margem oposta. Todas com a mesma aparência suntuosa.

No próximo post continuamos com a viagem.

Um fim de semana em Chicago

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De tudo que tem pra ver em Chicago o que mais me surpreendeu foi a beleza arquitetônica do centro da cidade. A mistura de prédios em estilo Art Deco com outros com formas e desenhos bem modernos é impressionante. Claro que em Nova York também existe um pouco dessa mescla, mas, não sei se porque as avenidas são mais largas, o que nos permite ver não um de cada vez, mas todo um “painel” de prédios, a impressão que me causou foi que nos impacta mais.

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Mas, além da beleza da arquitetura, Chicago é quase um museu a céu aberto. Nas ruas a gente vai encontrando esculturas de Picasso, Calder, um mural de Chagall, e alguns outros que eu não reconheci o autor. Até se chegar no Millenium Park e se deparar com a coisa maravilhosa que é o Cloud Gate, mas conhecido como “The Bean”. É uma escultura em forma de um imenso feijão, com a superfície completamente espelhada, produzindo um efeito meio que estonteante.

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Ao lado, outra imensa estrutura “quebrada”, parecendo enormes placas de aço e que nos fez lembrar imediatamente do Museu Guggeheim de Bilbao. Não à toa, porque o arquiteto é o mesmo fantástico Frank Gehry. Trata-se de um imenso pavilhão onde ocorrem shows, concertos, exposições. Infelizmente não podemos visita-lo naquele dia, estava reservado para um evento.

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Outra coisa impressionante é a Crown Fountain: um bloco de tijolos de vidro, com 15 metros de altura, que projeta rostos em movimento de pessoas comuns de Chicago e, tal como as gárgulas das fontes clássicas, de tempos em tempos essas imagens soltam jatos d’agua pela boca.

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Depois de se fartar de tanta arte e quando bater a fome, Chicago tem fama de ter as melhores panquecas do mundo. Experimentamos no Wildberry, onde, as 11 da manhã, ficamos na fila por mais de 20 minutos. Mas valeu demais! E mais: Chicago tem um tipo especial de pizza, a deep dish pizza, feita em formas com bordas altas porque ela tem maior espessura que as comuns. E a maior espessura não é só da massa, é do recheio também. Impossível comer uma sozinho, mesmo a de menor tamanho.

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Não precisa comprar nada, mas percorrer a Magnificent Mile é ótimo! Uma milha de avenida com lojas chiquérrimas e outras nem tanto. Voce pode comprar um casaco de frio desses fofinhos e leves por 500 dolares na Canada Goose ou por 69 na Uniqlo. Mas o mais legal é poder exercitar o antiquíssimo hábito de “olhar as vitrines”, que eu amo. Parar na vitrine da Dior e olhar uns vestidos esquisitos, na Burberry e ver uns trench coats caríssimos e ai, rapidamente entrar na H&M e também não comprar nada. Just taking a look.

Depois você também pode apreciar toda a beleza da cidade vendo-a de cima. O Willis Tower é o prédio mais alto da cidade, com 442 metros de altura e uma vista de toda a cidade. A maior atração do Willis é o Skydeck: no andar 109, uma projeção como uma varanda, inteiramente de vidro, e você fica suspenso no ar. O problema é que as pessoas vão pra lá não pra apreciar a vista, mas para tirar fotos. Ficam de costa pra paisagem e tiram fotos na mais estranhas posições. E com isso demoram um tempo imenso, o que faz a fila não andar nunca. Saímos da fila de demos por visto.

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Enfim, considero que Chicago é uma cidade perfeita para arquitetos, artistas e apreciadores da arte. Sobretudo para os arquitetos que trabalham em projetos de grandes prédios é imperdível.

 

 

Woodstock: o pitoresco a 2 horas de NYC

Desde que vi o filme “Paz, Amor e Muito Mais”, com Jane Fonda como uma hippie velha, fiquei com vontade de conhecer essa cidadezinha que está tão perto da cidade de Nova York. Agora fui. E ela é realmente encantadora.

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Pequenininha, com uma população de menos de 6 mil pessoas, basicamente uma rua principal e outras pequenas transversais, Woodstock vive da fama do Festival. Lojinhas com roupas dos anos 70, muitos brechós, umas figuras meio folclóricas no meio da praça, uns caras com cara de Hell’s Angels, e logo você se sente deslocado no tempo. Mas retorna rapidinho quando entra nos bares, restaurantes e cafés transados e bem novaioquinos que também tem por lá. É uma cidade que sabe aproveitar o melhor dos dois mundos. Encontrei lá, por exemplo, uma loja de roupas de linho, no melhor estilo oversized, blusas e vestidos lindos. Pena que meu orçamento não seja tão “oversized” assim.

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A cidade tem pouca oferta de hospedagem, basicamente Bed & Breakfasts. Tivemos sorte de conseguir vaga em um dos poucos hotéis, que, por sinal tem apenas 4 apartamentos. Mas nosso apartamento era uma lindeza com uma decoração meio “psicodélica”, móveis antigos, detalhes indianos. Se alguém se interessar ele chama-se White Dove Rockhotel.

Então, quando a gente diz que vai a Woodstock todo mundo logo pensa em hippies, rock e marijuana, que a cidade vai estar cheia de “bicho-grilo”, como se dizia antigamente, e que o cheiro de patchuli estaria pairando no ar. Nada mais equivocado. Primeiro porque no estado de Nova York a comercialização da Canabis é proibida, segundo porque o Festival de Woodstock não aconteceu em Woodstock.

Por mais chocante que isso possa parecer, a cidade onde aconteceu o Festival chama-se Bethel e está a mais de uma hora de carro desde o centro de Woodstock. Então por que tem esse nome? Woodstock promovia periodicamente festivais de rock nos anos 60/70 e os organizadores do famoso festival o planejaram para acontecer lá. Ocorre que a prefeitura negou a licença porque eram esperadas 50 mil pessoas e a cidade não tinha infra-estrutura para isso. De ultima hora eles encontraram uma fazenda em Bethel e como todo material de divulgação já tinha o nome de Woodstock, assim ficou. No fim foram mais de 400 mil pessoas! E Woodstock ficou com a fama, a pobre da Bethel nem é lembrada. E nem vale a pena ir lá, porque é um grande descampado com uma placa dizendo que lá ocorreu o festival. Nem uma lojinha de souvenirs tem.

E se tudo isso ainda não for incentivo suficiente para dirigir essas duas horas, no meio do caminho você pode dar uma desviada e visitar o Storm King Art Center, um imenso museu de esculturas a céu aberto. O parque é maravilhoso, a maior parte da esculturas são monumentais e contemporâneas. Não conheço Inhotim, mas imagino que seja algo parecido.

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Washington e a época das cerejeiras em flôr

Na segunda vez em que fui visitar meu filho em Nova York fomos a Washington. Era fevereiro, inverno, fazia muito frio. No primeiro dia, encarando o vento, demos uma volta pelo Monumento a Washington – aquele obelisco enorme – e passamos diante da Casa Branca. Terminamos o dia em um restaurante, tomando cerveja e comendo camarão. Ai morou a minha desgraça. Passei os dois dias seguintes com uma baita infecção intestinal, sem poder sair do hotel. Resultado: não conheci Washington.

Esse ano fomos de novo, eu com toda a precaução alimentar possível. E era primavera, e era a época da floração das cerejeiras. Eu não tinha idéia de que esse evento era tão comemorado assim, e um exemplo disso foi que quase não conseguimos achar hotel para o final de semana.

A festa é linda! Pelo que pude perceber tudo se desenrola ao redor do grande espaço que vai do monumento a Washinton até ao Lincoln Memorial, o chamado National Mall, e o West Potomac Park. Esse parque circunda um grande lago e, pelo menos no momento em que visitei, eram onde as cerejeiras estavam mais lindamente floridas.

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Os monumentos desse parque causam impressão. Algumas boas e outras surpreendentes, para não dizer más. Porque um deles é um espaço em homenagem aos militares mortos na Guerra (não me lembro agora qual delas), e é um negócio meio esquisito. Eu não me senti bem em olhar, apesar de ter gente ao redor quase chorando. Porque é assim meio fantasmagórico. Sei não…

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Por outro lado o de Martin Luther King achei o máximo. Enormes blocos de pedra e a imagem do Dr. King emergindo de um deles. É um negocio poderoso.

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E no de F. D. Roosevelt o mais fofo é o cachorrinho dele 😀

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Mas ir a Washington é ter a oportunidade de

 

 

Morar sozinha em Nova York

A decisão de morar no meu próprio canto nesse período em Nova York, teve, também, a intenção de mexer um pouco com minha acomodação doméstica. Cuidar da limpeza da roupa, preparar a própria comida, fazer faxina na casa, são coisas que no nosso país, na maioria das vezes a gente delega a outra pessoa. A gente até vai prá cozinha e limpa a casa vez ou outra, mas quando isso tem que ser feito como rotina, a coisa é desafiadora. Principalmente para uma pessoa, digamos, senior, como eu. Por mais que as costas doessem, nada foi mais gratificante que a sensação de liberdade, de mandar nos seus próprios horários e desconstruir os próprios hábitos. Algumas coisas tive que aprender quase do zero e vou contar aqui prá vocês.

Fazer faxina

A maioria dos apartamentos, sobretudo nos prédios mais antigos, não tem área de serviço, logo, não tem onde se estender roupa. Limpar o banheiro jogando um desinfetante diluído em um balde d’agua, passar um escovão e depois um pano de chão pra secar: isso era o que eu entendia de limpar o chão do banheiro. Mas, como fazer se o chão não tem ralo pra escorrer a agua e não existe pano de chão porque não tem onde coloca-los pra secar?

Quando cheguei no meu apartamento havia um deposito repleto de produtos de limpeza, dos quais eu só conhecia o Pinho Sol. Obviamente não tinha pano de chão, mas tinha uns lencinhos úmidos e uns secos, que eu fiquei olhando por longo tempo, tentando entender pra que serviriam. E não havia vassouras. Precisei da ajuda de Thaisa pra começar a pensar em como limpar as coisas. Então é assim: tem um produto pra limpar cozinha e outro pra banheiro, tem um pra limpar torneiras e outro pra limpar fogão, tem um pra banheira e outro pra tirar cheiro de suor dos sofás. Viram como não é simples? E as toalhinhas que parecem um perflex grosso? São para limpar o chão! Se coloca em uma espécie de rodo largo e se limpa o chão. Complicado, viu? E haja dor nos quartos depois!

Comprar comida

Sem problemas, os supermercados são parecidos com os nossos, a não ser pela maior quantidade e variedade de produtos. Mas a arrumação é muito semelhante. Problema seriíssimo: subir 3 lances de escada com muitas sacolas pesadas. Logo aprendi que não dá prá fazer compras pro mês, nem mesmo pra semana. Tem que se sair do supermercado com, no máximo, duas sacolas leves.

Existem muitas feiras livres de produtos orgânicos. Perto de casa, na Praça Grand Army, na entrada do Prospect Park, aos sábados, tem uma ótima.  São feiras onde o próprio produtor trás seus produtos pra vender. Por isso são feiras com frutas e verduras da época, pães de fabricação caseira, queijos, embutidos, mel. Comprei um quirche numa barraca de massas, de comer de joelhos.

Lavar roupa

No meu apartamento não tinha maquina de lavar e secar. E ai tive que me virar. Existem aquelas “laundry”, onde se compra fichas e se maneja as maquinas. Você tem que levar seu sabão, seu amaciante, comprar a fichar, botar pra lavar, esperar, botar pra secar, esperar, dobrar a roupa e pronto. Bom, são serviços que já existem há muito por aqui. Eu não tinha nenhuma dessas por perto, mas tinha pertinho uma loja de um chinês mal humorado, que cobrava por peso, lavava e dobrava a roupa e entregava no mesmo dia. Levava roupa de cama, toalhas, panos de prato, jeans. E nunca paguei mais do que 10 dólares. Roupas mais delicadas e camisetas, lavava em casa usando uma estratégia de secagem que achei que era invenção minha, mas depois soube que todo mundo faz isso: um varal de chão na banheira do banheiro. Como o clima estava bastante seco, eu lavava de tarde, no outro dia de manhã já estava seco. E também acabei com essa besteira de roupa passada. Pendurava as malhas ainda molhadas e deixava escorrer. Secavam lisinhas.

Lavar prato

Para mim não existe nada mais pavoroso numa casa do que terminar de fazer uma refeição, tomando um calicezinho de vinho e depois ir pra pia lavar louça. Quebra todo o prazer. Acho um serviço sem fim. Me sinto a própria Sífiso. Mas, graças aos deuses, na minha casa tinha o que eu considero o maior invento doméstico: uma máquina de lavar pratos! Era uma máquina grande, de modo que eu juntava dois ou três dias de louça e botava pra rodar. Já as panelas… ai não tem jeito, é na bucha mesmo.

E assim foi. E foi ótimo. Felizmente não sou daquelas pessoas obsessivas por limpeza, que fica passando o dedo nos móveis. Ai não foi tão mortal. A dor nas costas? Resolvi com 400mg de ibuprofeno a cada faxina.

Viajando pela Pensilvânia: Princenton

A Pensilvânia (ou Pennsylvania, em sua grafia original) é um estado que está a sudoeste da cidade de Nova York. O caminho atravessa New Jersey por autoestradas imensas, com sinalizações que só quem está acostumado a dirigir por aqui pode achar boa. Para mim, parece confusa e pouco “amigável”. Só o GPS salva.

Nosso destino era a Filadélfia (ou Philadelphia, no seu termo original, ou Phila, Phili, no jeito carinhoso que os moradores chamam), e até lá, gastamos pouco mais de 2 horas, com uma pausa para o almoço em Princenton, uma cidade pequenininha, linda e rica.

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A cidade gira em torno da Universidade, com sua arquitetura peculiar e seus jardins muito bem cuidados. Me chamou particularmente a atenção o piso da praça em frente a Universidade, que tem inscrito em cada ladrilho o nome de um ex-aluno. Procurei o nome de Alan Turring e o de John Nash, mas não encontrei. É muita gente! E provavelmente isso não seja de graça.

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A cidade tem bons restaurantes, cafés, lojas de roupa de grife. No dia que fomos estava acontecendo uma feirinha de produtos orgânicos, vendidos pelos próprios fazendeiros. Almoçamos em um restaurante chamado Mediterra, super simpático, com mesas em um terraço, o que para um dia de calor foi maravilhoso.

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