Islândia: impressões finais

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Traçado em vermelho o percurso que fizemos

Quando, há um ano, André (para quem não sabe Andre Salgado é o cara com quem a gente viaja, que é um doce, um amor, um gatão lindo de morrer, e que você pode ver a programação de viagens dele aqui viagenscomandresalgado.com ) nos falou de uma viagem a Islândia e que “caçaríamos” a aurora boreal, imediatamente eu disse “tô dentro”. Ver a aurora boreal sempre esteve entre os meus desejos, apesar de achar difícil de ser realizado até então. Pois vim para a Islândia pensando que se eu realizasse esse desejo já estava de bom tamanho. Não tinha muita expectativa com relação ao resto e, no íntimo, até pensava que poderia me enfadar com tanta natureza. O fato é que depois de alguns dias, vendo tanta coisa linda, em contato com a natureza no seu estado mais puro, bonito e atemorizador, quase que esqueci que a aurora era meu objetivo. A Islândia é um país realmente único.

Grande, pouco povoado, o país não tem pobreza. Não vi pobres e também não vi ricos ostentação, como vemos em outros países. Todos parecem ter o mesmo tipo de padrão de vida. É um país que, apesar de ter sido colonia norueguesa e depois dinamarquesa até os anos 1950, apesar de ter tido uma base militar americana desde a II Guerra até início dos anos 2000, não tem exército, apenas uma pequena força policial.

É um país caro. E fiquei curiosa se era caro somente para nós ou se também para eles, os habitantes da ilha. E sim, é. O salário mínimo é algo em torno de 2.000 dólares, mas com esse dinheiro não se consegue viver decentemente. Assim, o mais comum é que as pessoas tenham dois empregos. Por outro lado, tal como nos países escandinavos, as políticas sociais são efetivas: saúde e educação são públicas e gratuitas, o ensino é obrigatório até os 16 anos de idade, 40% da população tem nível superior. Os aluguéis são caríssimos, então o mais comum é que as pessoas comprem suas casas com empréstimos do governo, que se paga ao longo da vida.

O país viveu sempre da indústria pesqueira. Como estamos praticamente margeando a costa, todas as aldeias que passamos era pesqueiras. Mas não imaginem aldeias como as que vemos em Portugal, por exemplo. São vilazinhas de 300, 600 habitantes, mas de um alto padrão de moradia e comércio. Casas grandes, lindas, cafés e supermercados muito bem equipados, com produtos de qualidade e importados. Os barcos de pescas são verdadeiros navios; a pesca é industrial. Atualmente uma segunda atividade vem sobrepujando a pesca: o turismo. E com ele a construção de excelentes hotéis e restaurantes com comida maravilhosa, tipo master chef. Eles se prepararam mesmo para isso. As estradas são excelentes, os pontos turísticos estão bem sinalizados e com estrutura de apoio como cafeterias, banheiros e as indefectíveis lojinhas de souvenir. Outra importante fonte de recursos é a produção de alumínio, como indústria de transformação. O país importa a bauxita, produz e exporta o alumínio.

Por onde andamos observamos uma preocupação com o meio ambiente e a produção sustentável. Eles aproveitam a atividade vulcânica para obter energia geotérmica, portanto renovável. A água quente é usada para aquecer as residências. Mas, com a terra vulcânica e o clima sub polar não é possível se plantar muita coisa. Produz-se batatas, cenouras, beterrabas, coisas que crescem dentro da terra. E tomates em estufa, como já falamos em outro post. Outros alimentos precisam ser importados.

Uma coisa muito bacana é que todos os jovens trabalham durante as férias escolares. Seja nas fazendas de ovelhas, seja na pesca ou, mais recentemente, no setor de serviços, eles estarão lá, aprendendo e ajudando o país. Em todos os restaurantes que fomos os garçons eram meninos e meninas lindos, amáveis, prestativos.

E assim é esse pequeno grande país. Gostei muitíssimo, mas não é lugar para qualquer um. Não é para quem gosta de lugares glamorosos, fashion ou de encarar multidões em museus e espetáculos do show biz. Se vier venha preparado para um belo encontro com a Natureza, se surpreender e pensar “como eles conseguem?”, venha para comer bem e encontrar um povo gentil e reservado. Traga uma boa capa de chuva, um bom par de botas, seus olhos e o coração aberto.

Pelo interior da Islândia: sétimo dia

Estamos quase nos despedindo da Islândia. Hoje é nosso penúltimo dia, amanhã à tarde voamos para Londres e depois pra casa. Claro que nunca vou esquecer essa terra tão linda, tão cheia de magia, de histórias, de elfos e trolls. Levo daqui uma admiração profunda por esse povo, que, contornando todas as adversidades, constrói esse país onde não há pobreza, não há miséria, nem tampouco riqueza ostensiva e desnecessária.

Hoje fomos visitar um museu – O – que reproduz uma casa dos habitantes das montanhas nos séculos XVIII e XIX. Por ainda não terem desenvolvido a tecnologia de calefação usando a água quente, as casas era construídas com blocos de turfa e cobertura de grama. Os cômodos eram pequenos para aproveitar o calor e nela moravam várias pessoas. Me encantou um quarto cheio de camas, que também era local onde, imagino, as mulheres passavam grande parte do tempo. Porque aí estão a roca e os equipamentos para fiar e tecer, bem como instrumentos musicais.

A última visita do dia foi a uma… catarata! A Hraunfossar tem uma peculiaridade: não é uma queda d’água grande, a água cai de fendas na terra por uma extensão bem grande, dando um efeito muito bonito. Do lado dela há outra, a Barnafoss, menos impressionante mas com uma história: havia uma ponte de pedra em arco cruzando o rio formado pela catarata. Em um dia de Natal toda a população foi assistir a missa, menos duas crianças. Quando retornaram descobriram que amas crianças tinham caído da ponte. A mãe então mandou destruir a ponte para prevenir outras tragédias. Dai que Barnafoss significa ponte das crianças.

E chegamos ao nosso último pernoite. E mais uma vez comemos super bem no jantar. Amanhã retornamos a “Reikavik”, onde tomamos nosso vôo para Londres.

Pelo interior da Islândia: sexto dia

Continuamos seguindo pelo norte em direção a Akureyri, a segunda maior cidade da Islândia, com cerca de 18 mil habitantes (!).

No caminho fomos passando por paisagens muito lindinhas, como se saídas de livros de história da nossa infância. E chegamos a mais cachoeira, que a luz da manhã deixou ainda mais bonita.

Chegamos a Akureyri ao meio dia e, depois de tantos dias vendo apenas vilarejos, olhando-a de longe achamos que é realmente uma cidade grande. Pois uma cidadezinha deste tamanho tem cinemas, teatro, museus e até uma ópera.

Enquanto o resto do povo saiu para um passeio de barco para ver as baleias que habitam o fiorde (200 dólares por um passeio de 1 hora e meia!!), fomos bater perna (já estava sentindo falta) pelas ruazinhas do centro, uma delas sendo rua apenas para pedestres. Confesso que não entendi a necessidade, porque há pouca gente e o tráfego é escasso e educado (você pode atravessar a rua em qualquer lugar que eles param mesmo!).

Como sempre, tudo de muito bom gosto e muito caro. Um simples ímã de geladeira custa 10 dólares, um lindo suéter de lã em tricô com motivos islandeses, pode sair por quase 300 dólares. Agora, loucura mesmo para mim é olhar para os novelos de lã pura, de cores incríveis e não poder trazer um monte. E proporcionalmente nem são tão caras: um novelo de 100g sai por cerca de 15 dólares. Mas não cabe, na mala…

É muito curiosa a relação dos islandeses com seus mitos e histórias tradicionais. Subindo as montanhas do Norte nos deparamos com um magnífico desfiladeiro, com montanhas altissimas de ambos os lados. Pois diz a lenda que esse desfiladeiro foi construído por trolls na antiguidade. Nas livrarias encontram-se muitos livros sobre trolls, elfos e outros “povos escondidos”. Pena que em islandês.

E aí nossa guia nos conta a origem desses povos. Diz a história que um belo dia Deus resolve visitar Adão e Eva para conhecer a família que eles formaram. Eva, tratou de limpar e arrumar os filhos, mas, como eram muito, somente conseguiu aprontar sete deles, os outros ela escondeu. Quando Deus chegou apreciou as crianças, mas perguntou a Eva se eram só aqueles (mesmo sabendo que não eram, claro, porque Deus sabe tudo!). E Eva confirmou que sim, eram só aqueles (coitada, nem lembrou da omnisciência). Dai Deus, cruel como de costume, determinou que as criaturas escondidas nunca mais poderiam ser vistas pelos humanos (os pobres dos filhos escondidos já foram desqualificados), apesar de elas poderem vê-los. Esse povo escondido geraram os elfos, os duendes e as fadas, que só podem ser vistos pelos humanos se eles quiserem. Muito fofo.

Pelo interior da Islândia: quinto dia

O dia de hoje compensou completamente tudo que perdemos no de ontem. O sol brilhou o dia todo, confirmando que, realmente, deste lado leste o clima é melhor que no sul, apesar de mais frio. E, pelo que me pareceu, se o sul é água (cascatas, glaciares), o leste é fogo, com vulcões, vapores e toda essa atividade vinda de dentro da terra. Não que não tenha água por aqui também, porque água nessa terra é o que não falta, mas parece que aqui a atividade vulcânica predomina.

Depois de pararmos em uma cachoeira, seguimos montanha acima para conhecer a granja localizada no ponto mais alto, a mais de 600 metros de altitude. O lugar chama-se Fjallakaffi e é minúsculo e absolutamente encantador. Casas revestidas com grama, como a casa dos Hobbits, uma igrejinha linda, uma cafeteria simpática. O local se propõe a ser um lugar de esportes de aventura, mas nós ficamos somente por ali mesmo. Até porque, gente, havia uma ventania tão feroz que era difícil caminhar sem ser empurrada pelo vento.

A segunda visita do dia foi a Zona Geotermal de Hverir, um lugar muito incrível, com fontes de lama sulfurosa borbulhante, vapores escapando da terra, poças de água sulfurosa, quentíssima e azulada. Caminhar por ali foi como se estivéssemos andando na superfície de Marte ou algum outro planeta quente. O cheiro de enxofre nos atingia desde longe, mas não impedia de apreciar a beleza do lugar. O vento continuava muito forte. E o medo de ele me derrubar dentro daquelas poças?

Uma das mais importantes fontes de energia na Islândia é geotérmica, aquela gerada pelo calor proveniente do interior da terra, sendo assim uma das energias ditas renováveis. Justamente nessa região há uma das suas maiores usinas, construída na enorme cratera de um vulcão adormecido. Dentro da craterona, fomos ver uma “menorzinha”, algo como uns 300m de diâmetro, com água no seu interior.

Ainda rolou outro vulcão. Esse comum tipo de cratera parecida com o que a gente costuma imaginar: base larga afunilando em cone. Ventava desesperadamente e eu, claro, não sai do ônibus. Mas alguns mais intrépidos encararam a subida até a boca da cratera.

A melhor coisa do dia, uma das melhores da viagem inteira, foi o banho na lagoa de águas quentes, na região do lago Myvatn. Pense você está numa temperatura de 11 graus e mergulhar numa piscina natural com águas a quase 38! Uma delicia! Por conta dos minerais a água parece deslizar sobre seu corpo, como se você estivéssemos em uma banheira de hidratante. Não dava pra levantar mais do que alguns segundos, porque o frio era cruel.

Eu ainda não sabia que essa não foi a melhor coisa do dia. Porque a noite foi de deslumbramento com a aurora boreal, como contei anteriormente.

Na Islândia, enfim a aurora boreal

Preciso contar da enorme emoção que foi apreciar, ontem à noite, a aurora boreal, coisa pela qual vinha ansiando há muito e muito tempo.

A emoção não consigo descrevê-la, apenas digo que foi uma sensação de extasiamento, de pequenez diante da beleza do Universo. Apenas parei, me recostei em um carro estacionado e fiquei ali, abestalhada.

Mas posso descrever o que vi e como funciona a espera pelas luzes.

O termo em inglês para aurora boreal é “northern lights”, e é uma palavra mais adequada para o fenômeno do que a nossa. Porque as luzes não aparecem ao nascer do sol, na verdade a condição básica é que o céu esteja bem escuro, sem luzes artificiais por perto e que esteja sem nuvens. Ou seja, pode aparecer a qualquer momento, dada essas condições. Creio que o nome “aurora” talvez se deva a que o céu se torna claro como se o sol fosse nascer. Mas, não todo claro e sim faixas claras, esverdeadas, que mudam muito lentamente de formato, como se estivessem se formando e desaparecendo e depois aparecendo em outro formato, alargando, tomando toda uma faixa horizontal do céu, ou se afinando formando uma grande linha vertical, ou formando franjas horizontais. Todo esse bailado é muito lento, como se fossem nuvens se movendo no céu.

O que vemos em vídeos, de luzes em uma dança louca, não é real, a menos que você fotografe em time lapse, ou seja, capture fotos com intervalos de tempo e depois grave em um contínuo. Também não conseguimos ver aquelas cores fulgurantes de azul e às vezes rosa, que vemos em algumas fotos. Pode ser que a que presenciamos não fosse assim tão exuberante, mas o fato é que as boas câmeras fotográficas, com seus tripés, com seu diafragma aberto ao máximo, com o ISO lá em cima, conseguem captar coisas que o olho humano não consegue.

Confesso que registrei em algumas fotos, com o celular mesmo, e preferi ficar desfrutando do espetáculo, porque fotos a gente vai encontrar na Internet.

O hotel em que ficamos oferecia todas as condições para apreciarmos o espetáculo. Isolado, longe de luzes, com um amplo campo ao redor para que, ainda quisesse mais escuro. Tive a impressão que todos que estavam hospedados, estavam ali para ver as luzes. E aí a recepção fica de prontidão. Quando as luzes aparecem eles telefonam para todos os quartos e aí é uma correria só. Todo mundo vai para o lado de fora com suas câmeras e tripés, procurando o melhor lugar.

Quando ainda estávamos jantando houve o primeiro sinal. Corremos. Mas ainda era um clarão tênue. Fomos dormir de roupa e tudo, esperando o telefone tocar. As 11:30 toca. Pulamos da cama, enfiamos as botas e o casaco e corremos. Nós e o resto do hotel. Lá fora fazia frio de 1 grau. E aí vimos. Por quase 30 minutos fiquei ali, parada, no escuro, com os olhos no céu, acompanhando o lento balé do choque das partículas com a atmosfera. E voltei para dormir me sentindo abençoada pelos deuses.

Pelo interior da Islândia: quarto dia

Um dia terrível. Choveu torrencialmente o dia inteiro. Chuva e vento forte de 65km por hora. E a gente na estrada. Deu medo.

Com isso nossa programação ficou muito prejudicada. Mas mesmo assim fomos visitar um glaciar e ver os pequenos icebergs. Com os grossos pingos da chuva batendo no rosto como se fossem agulhadas, não deu pra muito.

Mais uma vez a diferença com a Patagônia é grande. O glaciar desliza formando um grande rio, que deságua no mar ali pertinho. Então, é muito legal e inusitado andar pela praia e encontrar pedaços de gelo dos icebergs boiando ou na areia. Se eu contasse para um brasileiro que aqui a praia fornece o gelo da caipirinha, ninguém ia me acreditar.

Dai em diante não deu pra parar em mais nenhum lugar, a não ser em pequenas aldeias para comprar comida. Seguimos para o leste da ilha, cruzando as montanhas por túneis de 6km, esperando encontrar um clima melhor do outro lado. Qual o que! A chuva, o vento e o frio nos castigaram até chegarmos no nosso hotel de pernoite.

Pelo interior da Islândia: terceiro dia

Em 1784 uma erupção vulcânica matou 20% da população islandesa. Muitos outros morreram de fome, porque a terra ficou impossível de ser cultivada, ou pelos gases tóxicos que o vulcão continuou a emitir.

Hoje pudemos observar o que a Natureza fez com o que restou a erupção. Campos e campos de larva, coberta por musgo, dando um aspecto meio science fiction ao lugar. Naquele momento muitas fazendas foram cobertas pela fuligem e agora os estudiosos estão fazendo escavações para encontrá-las.

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Outra formação rochosa impressionante é o desfiladeiro Fjaorarjlgúfur. São 100 metros de profundidade e mais de 1 km de extensão, com cascatas e rios no seu interior. Infelizmente chovia muito e não pude apreciar mais devagar. Tirei umas fotos e sai correndo.

Ainda no sul da ilha fomos ver os glaciares. A comparação com os que vimos na Patagônia foi inevitável. E os daqui perdem, porque por conta da fuligem dos vulcões, o gelo é “sujo” e não aquele branco e azul maravilhoso de Ushuaia. Mas uma coisa bastante interessante aqui é que os glaciares estão nos picos das montanhas e suas línguas de gelo correm para terra e formam lagos pequenos, diferente da Patagônia onde vemos paredes e montanhas de gelo, com deslizamentos caindo na água. De qualquer maneira é sempre muito bonito.

Isso tudo deixou a gente muito gelado e foi um alívio chegar ao hotel para um banho quente.

Infelizmente a previsão para amanhã é de chuva forte o dia todo 😕

Pelo interior da Islândia: segundo dia

O segundo dia começou com sol, mas, como já disse, aqui nada garante o clima. Há um dito que diz que se você não está gostando do tempo que está fazendo, espere quinze minutos e tudo mudará.

Nossa primeira parada foi na terceira catarata da viagem, chamada Seljalandsfoss (mesmo não conseguindo pronunciar vou colocar os nomes dos locais). É uma queda d’água impressionante, a qual vemos de baixo. E mais, podemos caminhar por trás dela! Nem chovia tanto nessa hora, mas claro que nos molhamos com os respingos. Era como se um chuveirinho estivesse ligado molhando tudo. Calças, casacos e botas a prova d’água (não somente resistente à água, mas waterpoof mesmo) são imprescindíveis. Atras da catarata é incrível! O barulho e a força da água são poderosos.

A quarta catarata – Skógafoss – é uma queda d’Água de 65 metros, que acessamos por baixo, mas uma imensa escadaria permite que se veja por cima. Claro que não subi. Ver de baixo já é muito legal porque o vapor d’Água com a incidência do sol (e aí demos sorte), forma um lindo arco-íris e todas as fotos ficam muito legais.

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Mas a grande atração do dia foi mesmo a belíssima e estranhíssima praia de Reynisfjala, a praia de areia preta. Um cenário realmente impressionante. A areia é completamente negra, com milhões de pedras e pedrinhas em vários tons de negro, lindas, com magníficas formações basalticas (“basalto é uma rocha ígnea eruptiva rica em silicatos de magnesio e ferro”) que parecem terem sido recortadas da montanha em longas colunas de lados afilados, como prismas. Segundo um amigo geólogo, trata-se de “basalto em disjunção prismática”. 😄

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O mar do Atlântico é bravíssimo e é proibido que se chegue perto. Dentro da água duas formações rochosas lindas são “trolls” que viram pedras durante o dia. Muitíssimo interessante a mitologia daqui que, claro, tem influência eslava. Nossa guia nos contou história lindas de trolls e elfos.

Lembram de um vulcão que, em 2010, parou o tráfico aéreo em toda Europa? Um cujo nome era um amontoado de consoantes e que nenhum apresentador de TV conseguiu pronunciar? Pois passamos por ele, que agora está calminho, coberto de neve. Ah, o nome dele é Eyjafjallajokull e se pronuncia alguma coisa como “eia-fiátla-iocutl”.

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O momento fofo do dia foram essas criaturas aí, lindas, tranquilas. Olho pra elas e vejo um lindo suéter 😊

Pelo interior da Islândia: primeiro dia

A partir de Reykjavik vamos percorrer toda a Islândia pela costa. Será um percurso rodoviário, naturalmente, com pernoites pelo meio do caminho. Irei contando aqui o que vimos a cada dia.

Primeiro dia

Saímos de Reykjavik debaixo de chuva e ela nos acompanhou durante quase todo o dia. Nossa primeira parada foi em um parque nacional, no lugar em que as placas tectônicas da Europa e da América se encontram. Assim, um lugar perigosíssimo, sobretudo poucos dias depois de um terremoto no México, que sei lá se não reverbera por aqui. Mas não é nada amedrontador. Nada de você olhar e ver uma fenda enorme se perdendo no centro da terra. Na verdade existem escarpas, fissuras em pedras enormes, mas obviamente não é possível ver as placas tectônicas, apesar de se saber que elas estão lá.

Seguimos para a nossa primeira cachoeira, também de nome impronunciável. No grupo, dado a impossibilidade de se falar o nome dos locais, resolvemos identifica-los por suas características. Então essa é a cachoeira pequena, uma quedinha d’água de uns 10 metros talvez. O mais bonitinho dessa cachoeira é que eles construíram uma “escadaria” para facilitar a subida dos salmões, na época da desova. Então, essa é a cachoeira das escadas para salmões.

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No meio de uma chuva intensa fomos conhecer a segunda cachoeira do dia. Essa é enorme, mais de 30 metros de uma queda em dois níveis, mas bastante larga. É possível chegar bem perto dela, mas a chuva, o vento e o frio me fizeram olhar, fazer umas fotos e dar por visto. Corri para me abrigar, porque a estúpida aqui não estava bem agasalhada.

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Achei a história abaixo bem bonitinha:

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E aí, no meio do caminho para a próxima atração, uma surpresa: fomos conhecer uma coisa realmente extraordinária, que foi a Fridheimar, uma granja produtora de tomates de uma forma completamente sustentável, orgânica, usando da mais alta tecnologia. Os tomates são criados em estufas imensas, irrigados por água dos glaciares próximos, com iluminação artificial vinda de geradores termais. Uma coisa realmente impressionante, com preocupações ao ponto de importarem abelhas para promover a polinização do pés de tomates. Ao final da visita ainda provamos de uma deliciosa sopa de tomate (claro!).

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Mas a grande atração do dia foi mesmo no final: os géiseres. No meio do nada, de repente a terra se abre em buracos que soltam vapor e água em enorme temperatura e, sob pressão, alcança metros de altura. Aí está o primeiro géiser, que se chamou assim porque assim se chama o local. E a partir daí, todos os fenômenos de ejeção natural de água e vapor passou a usar esse nome. É impressionante ver o momento em que aquele jato de água se lança a metros de altura, como se fosse um grande cuspe da terra. É possível ver como se trata de uma fenda, porque os demais géiseres aparecem em uma linha na terra. Alguns não lançam água, mas apenas vapor, de modo de que longe podemos ver colunas de “fumaça”. Às vezes o que vemos são os buracos com a água parada, mas, devido a alta temperatura, com uma cor azul maravilhosa.

E dessa maneira o dia terminou lindo, com a chuva já estiada.

Chegando a Islândia

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A Islândia é um país diferente de tudo que conheci até agora, não só por seu clima absolutamente imprevisível, como também por sua arquiteta e sua organização social e política. No idioma original chama-se Íslandi, que significa terra do gelo (sempre imaginei que tinha ver com “isla”), tem um idioma completamente estranho, cheio de consoantes, o que torna o nome dos lugares impronunciáveis. Como diz André, vamos poder dizer que estivemos na Islândia, mas não vamos conseguir dizer onde estivemos. É uma ilha grande, com pouca gente. São pouco mais de 320 mil habitantes, sendo que mais de 120 mil estão em Reykjavik (pronuncia-se “Réykiavike”, com o primeiro “i” quase não pronunciado).

O clima é completamente louco. Chove, faz sol, chuvisca, fica nublado, abre um solzão com céu azul, chove de novo. No inverno acrescenta-se a neve na sequência. Até agora vimos isso em Reykjavik, de modo que, se você tirou uma foto sob céu fechado, pode voltar alguns minutos depois e há chance de tirar a mesma foto com sol e céu azul. Guarda-chuva faz parte do vestiário normal.

A Capital Reykjavik

É uma cidade grande de 200 mil habitantes, o que, se comparado a nossas cidades, é uma cidade pequena, mas é uma cidade graciosa. Obviamente não há um centro histórico uma vez que o processo de urbanização foi bastante tardio. A maioria das casas é de madeira, mas revestidas externamente com chapas de alumínio ondulado, para proteger de vento e frio. E eles as pintam de cores vibrantes!

 

A rua fica muito linda! Me chamou atenção o modelo das casas: quadradas, no máximo dois pisos, janelões imensos de vidro, com um telhado normal, diferente daqueles inclinados que vemos em lugares que neva muito. Mas na orla do mar já se pode ver edifícios de apartamentos, quebrando a paisagem. Assim, prédios mais modernos estão surgindo, e o melhor exemplar atualmente é o Museu da Música, lindo, com fachada de vidro em recortes retangulares.
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Mas o charme mesmo está nas casinhas coloridas onde funcionam lojinhas. São lojinhas de um comércio caro e de extremo bom gosto. As roupas e acessórios de lã, fleece, feltro, são realmente muito bonitas. Da mesma forma que na arquitetura, o interior das lojas também é geralmente clean, despojado. E eu que sempre imaginei que lojas de coisas pra frio fossem sempre meio “cozy”. Os casacos e vestidos são lindos, da vontade de sair comprando, se não morasse eu no calor do Nordeste e se tivesse eu rios de dinheiro. Porque são muuuuito caros.

O ponto turístico mais importância capital é a sua Catedral, bonita mas estranha na sua forma e na absoluta “limpeza” do seu interior. Por ser uma igreja luterana (religião predominante no país), não tem imagens nem nenhum outro tipo de decoração, as paredes são nuas, não fosse um enorme órgão.

 

Esse é um lugar caro. Uma comida barata, tipo um espaguete em um restaurante italiano, não sai por menos de 30 dólares. Uma sopa de noodles custa mais ou menos 20 dólares. Fui olhar o preço de um tênis desses de caminhada que aguentam chuva e custavam quase 280 dólares! É caro ou eu é que sou lisa?