Deixando Ushuaia

E viemos embora. Mas, como comemos várias frutinhas Calafate, voltaremos. Os planos são para daqui a 3 anos fazermos a Rota 40, que desce de San Carlos de Bariloche até Calafate. Já compramos até as camisetas.

Uma ultima coisa bonita que vimos em Ushuaia foi o aeroporto. Uma linda estrutura em madeira, em uma arquitetura bem diferente do aço e vidro que estamos acostumadas.

aeroporto de Ushuaia

E uma foto com as meninas da Destinos Australes, a agencia que nos acompanhou durante todo o percurso da Patagônia. Super simpaticos, super profissionais.

Orgulho de estar no fim do mundo

Os ushuaianos (será isso?) tem o maior orgulho de dizer que sua cidade é a mais austral do mundo, que está mesmo no fim do mundo. Até o jornal tem esse nome

É engraçado porque há uma outra cidade mais ao sul, que é Porto Willams. Mas eles retificam e enfatizam que Port Williams não é uma cidade e sim um povoamento militar e que Ushuaia continua sendo a mais austral. Ocorre que Porto Williams pertence ao Chile, logo… Ah, o orgulho argentino….

Orgulho de ser nordestina

Andando pela Calle San Martin (“San Martan”, como dizia Zé Nasar), em Ushuaia, vejo esses cartazes em uma agencia de viagens

E olhem o preço!!! Todo mundo a quem falamos que vinhamos de Natal, sabia onde eram e nos invejava. Alguns já tinham ouvido falar de Pipa e sonhavam com isso de ter sol o ano inteiro. E nós aqui querendo sentir frio…

As comidas da Patagônia

Tanto em Calafate, quanto em Ushuaia, quando se pergunta o que se pode comer de típico, a resposta é uma só: cordeiro patagônico. Na maior parte das vezes ele é servido assado na “parrilla” (na brasa) e ai a diferença do que estamos acostumados é que a carne é extremamente tenra, se desmanchando na boca. Mas o melhor cordeiro que comemos foi no Hotel de Calafate (Hotel Elan). Ele foi servido com um molho acridoce e umas batatas gratinadas maravilhosas. Foi a melhor comida da viagem e custou apenas 65 pesos (30 e poucos reais).

Em Ushuaia nos deparamos com as centollas, aquela espécie de caranguejo enorme, que anda nas pontas das patas (argh!). Gosto muito de caranguejo e tinha que experimentar aquela coisa. Pedimos indicação de um lugar menos turísticos e fomos para o Restaurante Chicho’s, um lugarzinho pequeno, simpático. Pedi uma cetolla a provençal e me foi servido assim

Apesar dos temperos provençais, a coisa é meio insípida. E, alem de tudo, muito cara. Por esse prato ai, sem nenhum acompanhamento além do pão, paguei 84 pesos, o que significa 42 reais. A sorte é que encontramos ai um Etchart Privado Torronté delicioso. E ficamos falando de onde e como fomos apresentadas a esse vinho.

O lago Fagnano

É um lago deslumbrante! Lá paramos para almoçar em um Hotel situado em um lugar privilegiado. O nome Fagnano é em homenagem a um padre catolico que foi administrador da Terra do Fogo, mas era chamado Cami pelo povo Ona, que ali viva antes desse cura resolver “administrar”.

Sopra um vento fortíssimo e todas nós tivemos que posar para as fotos com o chamado “peinado patagónico”, ou seja, cabelos “al aire”

as "nenas" assanhadas (no bom sentido, claro)

O lago escondido

Pudemos avistar o lago escondido desde um mirante chamado Garibalde. O lago é lindo (ai, já estou até me cansando de tanto dizer essa palavra… mas é a mais pura verdade) e fica assim meio perdido entre as montanhas.

lago escondido

Ai, no meio do nada,  há uma pichação que fiz questão de fotografar, enquanto Fá fotografava Dete

Cruzando os Andes

Ushuaia, além de ser o fim do mundo é o lugar onde a cordilheira dos Andes faz a curva. Ela desce de norte a sul e lá ela resolve virar à direita e correr de oeste a leste. E assim estavam as 3 meninas brasileiras, vindas de onde o vento faz a curva, para onde a montanha resolve fazer o mesmo. Cruzamos a cordilheira para visitarmos dois lindos lagos perdidos lá pelo meio.

Mas, antes passamos por um lugar chamado Vale de Lobos. Trata-de de um criadeiro de cães para competições de maratonas de trenós. É um lugar lindo, lindo, perdido no meio de um bosque, com cabanas de madeira. O dono chama-se Gato, o que, diga-se de passagem, é absolutamente adequado. Afff…. Deixa eu me abanar um pouco… bateu um caloooorr…..

Aprendi que a raça Rusky siberiano é fruto de um cruzamento, só tem 50 anos e está em extinção porque eles não são lá essas coisas todas para o trabalho de puxar trenós. E aprendi que eles fazem uma competição maluca no Alasca, com o percurso de 1.800 km. Ah, a raça humana…

Bom, advinhem que quase enlouquece com tantos cães lindos, doceis e carentes? Olha ela aí

Fá e ele

E prá completar ela ainda descobriu que um deles se chama Elvis!!! Olha ele

Elvis, the second

Entrando na Patagonia

Ai chegamos em El Calafate. A melhor coisa que fizemos foi contratar tranfers em todos os lugares. Onde chegamos tem alguem com uma plaquinha com o nome de Fatima, para nos buscar, carregar nossas malas e nos deixar nos hoteis. Se fui pobre, não me lembro!

Ficamos no Hotel Elan, que fica a margem do Lago Argentino, “lo mas grande lago del país”. Hotel legal, apesar da Internet lenta.

E no dia seguinte seguimos para nosso primeiro passeio: Parque Nacional de los Glaciales. Fiquei um tempão tentando me lembrar como é que a gente chama isso. Com certeza não é “glacial”. Até que Fatima me lembrou: geleiras. Então, é um lago imenso, com mais de 300 geleiras. Tomamos um barco, navegamos pelo lago até 3 dessas.

Uma geleira (ou glacial) é uma “lingua” imensa de gelo que desce das montanhas e chega até o lago formando um paredão quilometrico, lindo, azul.

Glaciar ou geleira?

É uma coisa espantosamente bonita. Vez por outra pedaços desse gelo se desprende e cai, fazendo o barulho assustador de um trovão. E a gente vai encontrando esses pedaços boiando pelo caminho, se derretendo. Lindo, lindo.

Pedaços de gelo flutuando