A alma de uma cidade está nas feiras livres

Somos daquele tipo de turista que adora feira. Sempre que o calendário permite, nas nossas viagem vamos à feira. Para mim a feira representa a população real, a gente comum daquela cidade, mas também gosto de conhecer as verduras, as comidas, as coisas que o povo come. Algumas vezes me deparo com coisas que não conheço ou que nem imaginava que existisse, como o ovo envolto em cinzas que vimos no sudeste asiático.

Pois calhou de estarmos aqui em um dia de feira. E logo a feira maior e mais famosa de Montevideu: a feira de Tristán Narvajo. Todos nos diziam que ela era enorme e que tinha de tudo. E era verdade. A calle Dr. Tristán Narvajo começa na Av. 18 de julho, diante da Universidade da República. A feira segue por toda a rua, mas se espalha pelas ruas transversais, a perder de vista. E tem mesmo de tudo. Tem parafuso e tomadas, tem CDS e programas de computador pirata, tem ervas e roupas de trabalhador, tem roupa de brechó, tem livro usado, tem eletrodomésticos antigos, tem toneladas de coisas que parecem terem sido catadas dos lixos das casas, tem panelas e materiais de limpeza, tem coisas para cachorros, tem algumas coisas antigas que aparecem mesmo ter algum valor (um cara tava vendendo por 400 pesos um apito usados pelos guardas uruguaios nos anos 50). Tem artigos de couro e marroquinaria, tem artesanato de lã e tear, tem disco bolachão, tem brinquedos para crianças.


Ah, e tem comida! Sobretudo frutas e verduras. Diferente das nossas apenas em alguns nomes (abacate, por exemplo, é palta). Em uma barraca vimos umas coisas parecidas com limão siciliano, agruparas em pilhas, com uma placa “montón”. Comentamos, nossa, limão siciliano aqui chama-se montón. Aí, na barraca ao lado tinha pimentões vermelhos em pilhas e com a placa “montón”. Ok, burras, montón é montão! Saímos morrendo de rir.

Claro que na feira encontramos turistas, mas são turistas como nós, que preferem bater perna em feira do que em shopping, que come uns pastelões imensos fritados na hora, que comparam tangerina e saem comendo, que folheam livros velhos e compram poesias de Benedetti.

Enfim, feira é ótimo! E se você tiver em Montevideu em um domingo, vá até a Tristán Narvajo. E de quebra você ainda pode ver o estádio do Peñarol, que é ali em uma das transversais. 

Viajar em grupo vale a pena?

Nunca havia viajado em grupo. Sempre achei que excursão, além de ser um negócio cafona, era um horror, com guias apressando você para todos os muitos compromissos, de modo que você perdia a noção do que estava visitando. Além do fato de ter que conviver com 30 pessoas durante todo tempo. Porque gosto de viajar “slow”, parando onde acho bonito, “dando por visto” quando a coisa enche o saco, e não me sentindo obrigada a visitar TODOS os pontos turísticos. Por isso sempre rejeitei a idéia de viajar com mais de 3 pessoas.

Pois desta vez topei ir e ver como a coisa funcionava. E fui viajar com Andre Salgado. Primeiro preciso dizer que Andre é um fôfo, gracinha, gostosinho, gentil, prestativo, carinhoso, enfim, tudo que você precisa para um acompanhante de viagem. Que é o que, no fundo, ele é. Depois, ele só viaja com grupos pequenos. O nosso, por exemplo, tinha 10 pessoas, contando com ele. E ele também te deixa à vontade para participar da programação que quiser. Além de ser um bom tomador de cerveja, o que é uma excelente qualidade!

Mas, enfim, o que eu achei? Existem prós e contras, como tudo na vida.

Por que foi ótimo? Porque é muito bom:

  1. Ter alguém que desenrole tudo pra você nos aeroportos, desde fazer o check in até pegar sua mala, providenciar os vistos em alguns países, dizer quando você deve fazer câmbio de moeda e quanto você deve cambiar.
  2. Ter alguém te esperando nos aeroportos, ônibus parado pra você só sentar (porque alguém já providenciou colocar sua mala dentro).
  3. Ter alguém que faça seu check in nos hoteis, que só lhe entregue a chave do apartamento, já dizendo o horário do café da manhã e a senha do wifi.
  4. Ter alguém que conhece tudo do lugar, porque em países como esses que a gente visitou, onde o idioma é indecifrável e os hábitos e costumes não nos são familiares, isso pesa bastante.
  5. Mas, sobretudo, porque Andre é um cara com visto de entrada no Céu já garantido. Ele é dono de uma paciência sem fim, de um carinho fraterno maravilhoso, de uma disposição física invejável. E no fim do dia ainda dá umas cutucadas na gente, dizendo “vamos tomar uma?”, quando é tudo que a gente quer naquele momento!

 

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E o que fez falta?

  1. Bater perna. Como me fez falta bater perna pelas cidades, explorando o que está fora do circuito, descobrindo coisas, comendo as coisas da rua, vendo o povo. Prá mim isso é mais enriquecedor em uma  viagem do que restaurantes e hoteis caros, visitar todos os pontos turísticos que “tenho” que visitar.
  2. Botar a cabeça pra funcionar e ver o mapa da cidade, saber onde estou, por onde estou indo, como as coisas funcionam. Claro que eu poderia ter feito isso, mas se já que está tudo organizado, me acomodei.

E fora do bom ou ruim queria falar do grupo. Estava com muito receio de passar duas semanas convivendo o dia inteiro com as mesmas pessoas. Quem me conhece sabe que não sou fácil de fazer amizades, nem de puxar conversas com que não conheço direito. Encarei porque achei que precisava me testar nisso também. E nosso grupo foi super legal, apesar de bastante diverso. E foi legal, sobretudo, o respeito que eles tiveram conosco com relação às nossas posições políticas. A viagem transcorreu em um momento político complicadíssimo em nosso país e apenas eu e Dete tínhamos posição diferente do resto grupo. No entanto, como disse, nos respeitamos mutuamente e conseguimos conviver com harmonia, alegria e fraternidade, mesmo que por dentro estivéssemos morrendo de ansiedade. Valeu, gente! A gente se encontra em outra Viagem com André Salgado! (quero um desconto pelo “merchan”, visse? 😀 )

 

Se você vai ao Sudeste Asiático…

Se você está pensando em visitar esses lugares que visitei, fique atento/a para algumas coisinhas:

1.Não vimos nenhuma farmácia no Vietnam. Pelo menos não do jeito que a gente está acostumado, com remédios e produtos de higiene pessoal. Portanto, por via das dúvidas, leve seus remédios nas quantidades necessárias, seu desodorante e pasta dental preferidos, enfim… Não digo que elas não existam, digo que não vi.

2. A melhor época para se visitar esses países, dito por todos os guias locais, é dezembro e janeiro, quando a temperatura oscila em torno dos 25 graus Celsius. Se não quiser passar o calor infernal que passamos, se planeje pra esses meses. Mas fique atento que o norte do Vietnam é sempre mais frio. Apesar do calor que passamos, tive que comprar roupa de frio para ir a Halong Bay.

3. Comprar roupas pode ser um problema se você for uma plus size, como eu. As mulheres dessa região toda são magrinhas, pequenininhas, tipo mignon, e as roupas que elas fazem para os turistas seguem o tamanho delas. Ai, voce vê umas saias lindas, umas roupas maravilhosas, e quando olha perto do seu corpo vê que aquilo lá serve pra manequim 38, 40 no máximo. Voce pergunta se tem outras tamanhos e elas respondem “one size, mam”. E você quer morrer! Se você for um tamanho além do 42, sugiro comprar em Hoi An, que foi o único lugar onde vi numeração nas roupas.

4. O respeito que os países budistas tem com Buda é imenso. Nas lojas de souvenirs vimos vários avisos de que não se comprasse imagens do Buda para servir de enfeite ou adorno, que ele era pra ser venerado. Então, por favor, não pense em comprar uma cabeça do Buda pra fazer um suporte para abajur. O respeito é tamanho, que dentre as pessoas com prioridade para sentar nos bancos do metrô estão os monges.

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Arrumar uma mala para uma senhora plus size

Arrumar mala pra viajar é uma das coisas mais complicadas que existem. Voce tem que checar um monte de coisa, desde que tipo de viagem é a sua (aventura, bate-perna, sofisticada), que tipo de estilo é o seu (casual, cargo-camiseta-Timberland, perua assumida), que clima está fazendo no lugar pra onde voce vai (calor, frio, nenhuma das respostas acima). E qualquer que seja a resposta para essas opções a gente sempre se dá conta que … não tem roupa.

Passeando por aqui, em sites de viagem, encontrei algumas dicas de que tipo de roupa levar, inclusive esse aqui e aqui, da minha nora linda (aliás visitem o site todo se forem pra Nova York; dicas imperdíveis: http://bigapplecomrapadura.com/category/dicas_ny/). Acontece que essas listas são feitas pensando-se em jovens ninfetas, com manequim 38/40 (vish, como tô gorda!), porque uma coisa é “uma regatinha” tamanho 38 e outra é uma camiseta XG (sim, porque “regatinha”não é exatamente uma vestimenta para uma senhora provecta, cujo underwear é 34G): ocupa muito mais espaço!

A questão do espaço é séria. Considero absolutamente deselegante viajar com baús do tamanho do de Harry Porter indo pra Hogwarts. Do mesmo jeito é terrivelmente desapropriado andar com malas que se precisa sentar em cima para fechar. Talvez porque eu tenha trauma de ter que encolher a barriga e prender a respiração para subir o ziper de algumas calças. Um horror! Pois bem, vejam o dilema: mala pequena, com “lotação” adequada, tendo que caber camisetas e calças do tamanho de lonas de circo (ei, brincadeira, tô exagerando, é só XG, com um X só; poderia ser XXXG, né?).

Depois de muito olhar pro closet, tirar coisa de dentro das gavetas, mexer e remexer, resolvi levar os seguintes itens, torcendo para que funcione com as temperaturas tão malucas que provavelmente vamos ter que enfrentar:

  • 7 camisetas de malha fria, que dá pra ficar um rolinho fininho
  • 2 camisetas de algodão sem mangas
  • 2 blusas de malha de mangas compridas
  • 1 jaqueta de fleece
  • 2 calça jeans (uma vou vestida)
  • 1 calça de malha de algodão, molinha
  • 1 bermuda de malha
  • 1 blusa mais arrumadinha pro caso, improvável, de pintar um programa mais… enfim….
  • 2 camisolas
  • 10 calcinhas e 2 sutiãns
  • 3 pares de meia soquete
  • 1 tenis (com com ele)
  • 1 papete
  • 1 havaiana (com bandeira do Brasil, porque sou orgulhosa do meu país!)
  • Coisas de toilete
  • Carregadores

Será que estou esquecendo alguma coisa? Bom, tem uma mochila também, onde vão câmera fotografica, notebook, dinheiro, documentos, telefone, etc. Espero que isso seja suficiente. Depois conto pra voces se precisei comprar roupa no meio do caminho (bom, as vezes compro mesmo sem precisar, afinal a gente sempre está sem roupa nenhuma, não é mesmo?)

 

 

 

Eu já estou com o pé na estrada

Checando os últimos itens, tentando terminar de arrumar a mala, aqui estamos nós prestes a começar mais uma circulada por ai, mundo afora. Novamente vamos ao México e  EUA, mas para percursos diferentes dos que já fizemos. E vamos, pra variar, eu e minha amiga Fatima.

No México vamos além do giro pela Ciudad de Mexico que fizemos a poco mais de 2 anos e descrevemos aqui. Dessa vez vamos somente pernoitar lá e seguirmos para a região de Yucatan, fazendo pouso em Mérida. Como se sabe essa é uma região muito importante do ponto de vista histórico porque é o local de várias cidades maia. Queremos conhece-las, mas a minha maior curiosidade são os cenotes, que são piscinas naturais em escavações rochosas. Problema: a previsão do tempo é de temperaturas em torno dos 38 graus!

Nos EUA também deixamos de lado a costa leste e vamos para costa oeste. Vamos para a California, onde encontro meu filho e minha nora. E lá encontraremos temperaturas beirando os 15 graus. Imaginem o que é arrumar uma mala pra uma viagem assim. Vamos ver.

De molho em casa

Desde ontem que o dia está carregado, com chuva. E eu, com uma ameaça de resfriado, fungando o tempo todo. Arre!

A sorte foi que ontem encontramos uma lojinha minúscula de trico e crochet bem perto daqui. Comprei por 7 dólares um novelo de lã que no Brasil não custa menos de 50 reais. Claro que ainda vou voltar lá.

E estou aqui, tricotando e esperando a chuva passar.

Eu fico impressionada com a precisão da previsão do tempo por aqui. Se eles dizem que meio dia vai abrir o sol, quando der 11 e meia pode ir guardando a sombrinha, porque abre mesmo. Ontem eles diziam que o dia ia ficar nublado e que a partir de 4 da tarde choveria. Pois choveu! Exatamente as 4 horas. Agora eles estão dizendo que amanhã fará um lindo dia de sol. É claro que fará.

Gloria feita de sangue

Tudo bem que o Arco do Triunfo é uma imponente construção erguida no meio de uma estrela de ruas, no topo de uma colina, alinhada exatamente com o Louvre, mas dá uma raiva danada ver ao lado da placa que homenageia a resistencia francesa na Segunda Guerra, outras que homenageiam os “herois” que invadiram o Cambodja, a Coreia do Norte, a Argelia. De um lado, homenagem aos que lutaram contra os que invadiram seu país; do outro, homenagem aos que invadiram o país alheio? Como é isso?

Não dá prá achar aquilo interessante.

Gastronomia também é cultura

O pão é insuperável! Qualquer um que voce coma é fantástico. Apesar da manteiga, o croissant, of course, não tem prá ninguem. Como evito comer coisas “manteigosas” ou gordurosas, fiquei mais nos pães rústicos. E quase não saio.

Comemos comida típica francesa. E ontem fomos a um restaurante da região da Provence. Não saberia especificar o que ela (a Provence) tem de característico, mas a comida estava excelente. Comemos uma salada verde com pate de fois (os tomates são divinos), um boef d’agneau grille e uma mousse de chocolate. Tenho procurado comer coisas que temos pelo Brasil, para fazer uma comparação. A mousse de chocolate, por exemplo, não tem nada a ver com aquela coisa espessa que comemos na minha terra.

Olha só a decoração do restaurante

Ser ou não ser turista

Conheço gente que, quando viaja, não vai aqui ou ali “porque é lugar de turista”. Mas, e ai, voce é o que? Nativo? Pois eu assumo completamente o meu papel de turista. Pego minha mochila (quando as costas deixam), a garrafa d’agua, os tenis confortáveis e o mapa na mão. E digo, só vejo vantagem. Se não vejamos:

1. Em lugar de turista voce pode enrolar no idioma porque as pessoas que estão ali já sabem que voce não deve falar bem. E elas se esforçam para lhe entender e se comunicar, porque é o trabalho delas.

2. Ninguem vai estranhar o jeito de voce se vestir, meio malamaiado, sem baton, cabelo desgrenhado pelo vento, afinal todos estão do mesmo jeito. Se voce sai da area turistica, o povo vai estar arrumado, de salto, roupas bonitas. Voce ai vai se sentir um horror.

Claro que voce corre o risco de estar em lugares sempre cheios de gente, alguns mal educados falando alto e matando a gente de vergonha alheia, mas é uma questão de custo-benefício.

O pior é tentar passar por nativo, porque todo mundo tá percebendo que voce nem é daqui, nem veio prá ficar.

A feira do Boulevard Grenelle

O Boulevard Grenelle tem a característica de ter um viaduto por toda a sua extensão, onde passa o metro linha 6. É uma estrutura de ferro, bonita, nada a ver com uma coisa como o minhocão de São Paulo. Nosso hotel fica numa paralela a ele e é essa linha de metro que utilizamos todo dia.

 

 

 

 

 

 

 

Ontem nos deparamos com uma feira acontecendo embaixo do viaduto. É uma feira que vende fruta, verduras, carnes, comida pronta, comida preparada na hora, roupa, chapeus, sapatos, enfim uma feira de verdade com o aspecto bem de feira de bairro. As comidas davam agua na boca, as frutas e legumes eram lindos, coloridos, frescos. As bananas da Martinica, maravilhosas. Os tomates ainda com os talinhos. A barraca de carnes superlimpa, mesmo vendendo rins, testiculos e bucho (argh!).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por que as nossas não podem ser assim? Por que tem que ser suja, barulhenta, com as verduras amarrotadas?

Ficamos encantados, imaginem. Compramos chapéus, naturalmente.