Passeando por Cordisburgo

Apesar da cidade está um pouco descuidada, Cordisburgo nos apresenta algumas surpresas. A cidade é super tranquila e as pessoas estão sempre prontas a oferecer um sorriso.

E dentre essas surpresas está o zoológico de pedra. O guia de Maquiné já nos havia falado dele, quando nos disse dos fósseis de animais que foram achados na gruta, como preguiças gigantes e tigres dente-de-sabre. Não é exatamente um zoologico, mas um conjunto de esculturas desses animais expostos em uma praça na parte baixa da cidade. E é grotesco. O autor das esculturas até pode ter respeitado o tamanho dos bichos, mas … são toscos, feios… Abaixo, a preguiça de 3 metros de altura.

Logo na entrada da cidade uma escultura de um elefante gigante tinha me chamado a atenção. Me disseram que não era uma simples escultura, que era, na verdade a casa de um cara, que a estava construíndo assim. Ai a coisa ficou realmente surreal.

Mas a cidade tem o seu lado bucólico, suas casinhas lindas de interior e um entardecer magnifico. Tudo com um cheiro de damas-da-noite e lenha queimada. Um descanso para a alma.

Em Cordisburgo: Gruta do Maquiné.

Uma das coisas interessantes de fazer em Cordisburgo é ir visitar a gruta do Maquiné. Fica a poucos 5 quilometros do centro da cidade, mas se quiser ir a pé saiba que é subindo uma serra.

A infraestrutura turística está meio decadente, mas as pessoas que cuidam da gruta, os guias, os funcionários todos são muito dedicados. O nosso guia era um apaixonado pela gruta. Segundo ele tinha crescido dentro dela e às vezes, fora da temporada quando não tem ninguem para guiar, ele entra e fica “ouvindo o silencio”.

São formações geológicas lindíssimas, de 70 milhões de anos e que comprovam que um dia Minas já teve mar. Eu tenho um certo sentimento de mal estar quando penso em cavernas e por isso estava resistindo a ir a Maquiné, mas a gruta está sendo visitada desde o século 19 tem salões amplos e bem iluminados e com a presença dos guias não dá medo nenhum. Apesar do frio que fazia fora, dentro da gruta faz calor e dá um pouco de cansaço, mas acho que é mais pelo ar rarefeito. Mas, de todas as maneiras vale a pena. E com o Sr. Roberto como guia é melhor ainda.

Fiz um filminho, mas preciso editar. Essa foto ai ficou meio esquisita.

Rumo a Cordisburgo

Cordisburgo fica a algo como 2 horas de carro de BH, em uma estrada muito boa. Fomos pegar o carro que reservamos e, como eu já esperava, havia mais bagagem do que porta-malas. Reservamos um Palio e eramos 4 senhoras com 3 malas medias, 1 pequena e um monte de mochila, bolsa, bolsinhas, bolsonas. Não coube. Tivemos que abrir a bolsa e alugar um carro maior. Nada como um cartão de crédito prá resolver esses pequenos problemas.

Chegamos em Cordisburgo por volta do meio dia e fomos direto para o Hotel Chico Luzia, bem no meio do buchicho da turma amante de Guimarães Rosa. Esqueci de dizer que o intuito desta viagem foi participar dos eventos da semana roseana, que acontece todo ano nesse período de julho e da qual Fatima participa há 10 anos. Há toda uma programação, com palestras, exposições, apresentações. Dizer que a cidade fica toda mobilizada com esse evento é exagerar. Na verdade, até agora me parece que quem mais se mobiliza são os visitantes, os intelectuais locais e os donos de hoteis e restaurantes. O povo mesmo, os nativos mesmo, não estão nem ai.

De minha parte não vim acompanhar o evento, mas conhecer a cidade e observar as pessoas (não existem os observadores de pássaros? eu sou uma observadora de pessoas). Ainda não fui a nenhuma das programações, não tenho mais saco para palestras acadêmicas.

A cidade é pequena e, infelizmente, mal cuidada. Poderia ser linda, mas está suja, com predios mal conservados, meio largada mesmo. Mas a região é muito bonita e o friozinho que faz à noite é uma delícia.

A estação não tem trem de passageiros, mas é lindinha
Museu Guimarães Rosa