Orgulho de estar no fim do mundo

Os ushuaianos (será isso?) tem o maior orgulho de dizer que sua cidade é a mais austral do mundo, que está mesmo no fim do mundo. Até o jornal tem esse nome

É engraçado porque há uma outra cidade mais ao sul, que é Porto Willams. Mas eles retificam e enfatizam que Port Williams não é uma cidade e sim um povoamento militar e que Ushuaia continua sendo a mais austral. Ocorre que Porto Williams pertence ao Chile, logo… Ah, o orgulho argentino….

Quando se extermina uma população

O mais negro pecado da Argentina foi o sistemático e planejado massacre dos habitantes originais das suas terras. Exterminaram, como política de estado, todos os que aqui estavam desde 6 mil anos. Não há população indigena hoje por aqui.

Mas parece que em Ushuaia a coisa foi ligeiramente diferente. Não houve diretamente um extermínio em massa, eles foram morrendo como consequencia da colonização: fome, doenças. Era um povo bonito, caçadores, que viviam nus, por incrível que pareça. Dizem os guias que eles untavam o corpo com gordura de lobos marinhos, o que os protegia do frio. Há uma referencia que eles teriam os braços maiores que as pernas, e a explicação é que eles andavam sempre de barco e por não usarem as pernas, elas atrofiaram. Sei não…

O fato é que hoje em dia existe uma única nativa de sangue puro. Ela vive em Porto Williams, uma ilha perto de Ushuaia, e se chama Cristina Calderon. Deve ter uma idade em torno dos 80 anos.

E, finalmente, os pinguins!!!!

O final do passeio, o grand finale, é a visita a uma pinguinera, uma ilha onde vivem algo em torno de 4 mil pinguins, todos da variação “magallanes” e alguns poucos de outra variação chamada “papua” . É a coisa mais linda que se pode imaginar!!!!!!

O barco para tambem bem pertinho e eles nem parecem se incomodar com isso. Seguem caminhando prá lá e prá cá, como aquele caminhar caindo prum lado e pro outro, continuam nadando, brincando, nem estão ai. E a gente deslumbrada!!!!

A pinguinera
Big Z

Esse ai de patas amarelas e pico vermelho é da variação papua; ele é a cara do Big Z.

Bom, passeio no Canal de Beagle TEM que incluir uma visita a esses moços ai. É lindo, é repousante e deixa-nos todos com um sopro de carinho no coração.

De barco pelo Canal de Beagle

O passeio de catamarã pelo Canal de Beagle valeu cada centavo que pagamos. A cidade de Ushuaia está na margem desse Canal. Se quiserem saber mais sobre ele vejam aqui e aqui.

É um passeio maravilhoso, que dura 5 horas, mas a gente viu coisas que nunca poderiamos ver em outros lugares.

Por exemplo, os lindos lobos marinhos. Fofos, fofos, fofos. O barco para bem pertinho deles e eles ficam nos olhando, com aqueles olhinhos de quem pede carinho. Dá uma vontade enorme de alisa-los.

Olha a carinha dele!
O harém do grandão

Esse marrom escuro que está ai é o macho, “dono” de todas as fêmeas ao redor dele. Precisa ver o jeito como ele se movimenta e pisa, literalmente, em todas. Ah, esses machos não tem jeito mesmo… es de su propria naturaleza…

Castores vingativos destroem o bosque

Anos atrás os caras trouxeram uns castores do Canadá e soltaram nesses bosques. A idéia era comercializar as suas peles. O negócio de peles não prosperou, em compensação os castores sim. De 25 pares, hoje existe uma população de mais de 250 mil.

Pois bem, queriam suas peles e eles se vingaram. Constroem os diques derrubando as árvores e inundam o bosque. Não tem o que se fazer, já que seus predadores naturais não existem por aqui.

E todo mundo fala mal dos pobres castores. Já teve governante que pagava por cabeça de castor que lhe levassem; outro teve a brilhante ideia de inocular um virus que os deixassem cegos… enfim…

E a cada informação dessa, Fatima, com o seu espanhol perfeito, exclamava: “nuestra”!!!

Dique construido pelos castores

No trem do fim do mundo

Claro que tinhamos que ir até o fim do fim do mundo. E para isso,  tomamos um trem. É um trenzinho lindo, estreitinho, que percorre o mesmo caminho que percorria com os presos até 1947. Sim, porque Ushuaia iniciou-se como um povoado ao redor de uma prisão, para onde eram mandados os criminosos reincidentes. E o trem os leva até um bosque, para que cortassem árvores, que serviriam para construção, para mobiliário e para aquecimento. Dai que a floresta tem partes completamente devastadas.

No trem vai um narrador todo o tempo informando as condições em que trabalhavam os prisioneiros, e a gente achou muito engraçado eles dizerem coisas como: “os presos comiam suas rações em latas e não lhes davam talheres!!”, “os presos trabalhavam das 8 às 6 da tarde!!”, enfim, o texto era tão dramático que quase choramos. Coitadinho dos presos!!!!!!

o trem do fim do mundo

O lugar onde para o trem é hoje o Parque Nacional de Ushuaia. É lindo, lindo. Voce olha  prum lado tem os picos nevados dos Andes, olha pro outro, tem umas árvores bonitas, chamadas “lengas”. Ficamos pensando se não era dai que vinha a expressão “lenga-lenga”…

Olha nós ai

Em Ushuaia

Estamos a dois dias em Ushuaia, que os argentinos pronunciam “uçuaia”. É uma cidade maior do que pensavamos e, para nosso desepero, não faz frio nesses dias. Soubemos que há mais de 6 anos não ocorrem dias tão ensolarados, com temperaturas de 17, 19 graus. E nós aqui, com as malas cheias de gorros, luvas, casacos…

Ficamos em um hotel no centro, respirando ácaros, de tão cheio de carpetes, cortinas, colchas. Tentamos trocar mas nos pareceu que aqui não há tantos hoteis turisticos como em Calafate. E fomos ficando. O café da manhã é deplorável, cheio de coisas doces, como gostam os argentinos. De salgado só um queijinho prato insípido. Conheço alguem que ia sofrer, sem nem um ovo mexido pra salgar a boca.

A cidade tem 70 mil habitantes e é um importante centro industrial do sul do país, com a pretensão de se tornar um centro de produção de tecnologia de ponta. É uma cidade livre do IVA, quase uma zona franca.

Olha uma visão dela desde o Canal de Beagle

Ushuaia vista desde Beagle

Perito Moreno

De todos os glaciales de Calafate, o mais famoso é o Perito Moreno. Segundo nossa guia, por alguns motivos: a) ele vem se mantendo estavel ao longo dos anos, ou seja, sofre degelo, mas recupera tudo; b) ele esta localizado muito próximo de uma península, de modo que pode ser visualisado de forma privilegiada; c) ele sofre as chamadas “rupturas” periodicamente, um espetáculo que eu adoraria apreciar.

Dai fomos lá ontem. Tomamos um onibus e seguimos para as passarelas que ficam defronte a ele. É de se ficar paralisado de tanta beleza. Aquela imensidão de gelo descendo de 3 ou 4 montanhas, como se fosse uma imensa ladeira branca e caindo na água como uma falésia azulada.

Perito Moreno

Eu imaginava que era como um imenso iceberg, que flutuava. Mas, não. Essa parede vai até o fundo do lago e meio que se assenta lá, de modo que é estável.

Ai, no Perito Moreno, como ele é muito próximo da terra, tem momentos em que uma parte dele se alonga tanto que a toca península, bloqueando a passagem de agua de um lado para o outro. Dai provoca inundações e, depois de algum tempo, a pressão da agua começa a provocar fendas, até que esse “dique” se rompe. Ai, fiquei louca pra ver isso!! Deve ser uma coisa muito linda!!. Ocorre que ninguem consegue prever quando isso vai acontecer. A ultima vez foi em julho de 2008. Que pena…

Olhai eu e Perito

Eu e o Moreno

Entrando na Patagonia

Ai chegamos em El Calafate. A melhor coisa que fizemos foi contratar tranfers em todos os lugares. Onde chegamos tem alguem com uma plaquinha com o nome de Fatima, para nos buscar, carregar nossas malas e nos deixar nos hoteis. Se fui pobre, não me lembro!

Ficamos no Hotel Elan, que fica a margem do Lago Argentino, “lo mas grande lago del país”. Hotel legal, apesar da Internet lenta.

E no dia seguinte seguimos para nosso primeiro passeio: Parque Nacional de los Glaciales. Fiquei um tempão tentando me lembrar como é que a gente chama isso. Com certeza não é “glacial”. Até que Fatima me lembrou: geleiras. Então, é um lago imenso, com mais de 300 geleiras. Tomamos um barco, navegamos pelo lago até 3 dessas.

Uma geleira (ou glacial) é uma “lingua” imensa de gelo que desce das montanhas e chega até o lago formando um paredão quilometrico, lindo, azul.

Glaciar ou geleira?

É uma coisa espantosamente bonita. Vez por outra pedaços desse gelo se desprende e cai, fazendo o barulho assustador de um trovão. E a gente vai encontrando esses pedaços boiando pelo caminho, se derretendo. Lindo, lindo.

Pedaços de gelo flutuando

Informações úteis garimpadas na rede

Ainda que minhas comprinhas  não resolvam a questão do frio, estou salva:

Em El Calafate:

Na altura do número 1000 da Av. dei Libertador fica La Aldea de los Gnomos, uma galeria onde se encontram lojas de artesanato local, roupas, mantas, doces caseiros e souvenirs. Ao longo dessa avenida há muitas outras lojas de artesanato, e ao pé da escadaria do terminal de ônibus, quando não está muito, muito frio, rola uma pequena feirinha, também de artesanato. Há muitas lojas de roupas e acessórios apropriados para trekkings e escaladas, visando ao público que segue em direção a El Chaltéri. Na World’s End, Av. dei Libertador 1170, tem bastante souvenirs e livros, especialmente mapas de estradas e cidades da região.

http://rtundisi.wordpress.com/2009/05/17/el-calafate-o-paraiso-das-geleiras/

Em Ushuaia:

O clima é sempre uma surpresa. Portanto, esteja preparado. Mesmo no verão, leve roupas contra o frio e o vento, inclusive gorro e luvas. O ideal é carregar sempre uma pequena mochila com esses acessórios, mesmo que o dia pareça lindo. Alguns itens que não podem faltar são: protetor solar e labial, óculos escuros, água, um abrigo para o frio e uma boa máquina fotográfica. Como em alguns passeios você vai andar por trilhas, traga também um bom tênis ou bota de trekking já amaciado.

http://rtundisi.wordpress.com/2009/05/11/patagonia-argentina-ushuaia/

… preciso amaciar minhas waterproof…