Nas cercanias de Jerez, Sanlúcar de Barrameda

O plano inicial era alugar um carro em Jerez e visitar cidades próximas. Fizemos um roteiro, escolhemos cidades interessantes, organizamos um mapa no Maps do Google. Alugamos o carro ainda no Brasil. E desistimos. Sem nos darmos conta havíamos alugado uma casa sem garagem e nos becos do casco histórico é quase impossível estacionar. Diminuímos a quantidade de cidades a visitar e fomos de ônibus ou trem mesmo.

Saindo de Jerez, 30 minutos e 2 euros depois estávamos em Sanlúcar de Barrameda. A cidade está na foz do rio Guadalquivir, que passa por Córdoba, por Sevilha e deságua no Atlântico, pouco antes do estreito de Gibraltar, que da entrada para o Mediterrâneo. A importância histórica é que foi dali que Fernão de Magalhães saiu para sua volta ao mundo. Na outra margem do rio está a reserva ecológica de Doñana, que não tivemos tempo de conhecer.

Sanlúcar é uma cidadezinha com ares de cidade do interior. O povo calmamente fazendo compras nas vendas, cumprimentando os amigos, parando para uns dedos de prosa. A cidade não nos pareceu nem um pouco turística. Os prédios históricos estão pouco conservados e sem informações sobre suas importâncias.

Subindo uma ladeirinha chegamos na parte alta da cidade. Que parece ainda mais com o interior.

Mas o que mais me impressionou em Sanlúcar foi uma pequena igreja que vimos ao chegarmos ao centro histórico. Diferente de todas as que tenho visto, a porta da frente se abre diretamente para os bancos, sem átrio de entrada. E o retábulo, a parede ao fundo onde está o altar-mor, é negro, belíssimo e surpreendente.

Outra surpresa foi encontrar um restaurante self-service por essas bandas. Nos deram a indicação de um restaurante que fica na praça do Cabildo. Existem vários, com mesas e guarda-sóis na praça, mas em todos o esquema é você entrar no restaurante, fazer seu prato e comer em pé no balcão ou ir para as mesas da praça. Tapas, claro. Por sorte entramos em um beco e descobrimos um restaurante de verdade. Com a curiosidade de que, para chegar até ele, tivemos que passar por um corredor de tonéis de madeira imensos que armazenam jerez, porque o local também é um distribuidor. Daí vc chega no pátio onde está o restaurante já com muita vontade de tomar “unas copas”. Acho que é estratégico. E aí comemos, bebemos e pegamos o ônibus de volta pra casa.