De carro pela Toscana – Anotações variadas

Vingança malígna – quando pegamos o carro na Hertz do aeroporto, a pressa foi tanta que não checamos nada. Quando chegou a hora de abastecer, o cara do posto nos mostra que o tanque “da benzina” está sem tampa. E ai? Fazer o que? Compramos outra, pedimos a nota e guardamos para buscar o ressarcimento na entrega. Era uma tampa legal, com chave e tudo. Em San Remo, em uma Hertz muito pobrinha, deixamos o carro e explicamos a senhora o lance da tampa. Óbvio que ela não acreditou, disse que não, que nós não tinhamos como provar que estava sem tampa quando pegamos e tal. Tranquilamente dissemos a ela “ok, tá bem, ninguem vai brigar por 35 liras, não é?”. E saimos levando a chave da bendita tampa.

Vingança menos maligna – Em Radda compramos umas frutinhas na quitanda e o infeliz do quitandeiro nos deu o troco todo em moedas. No dia seguinte fomos lá e compramos um chocolate, o qual pagamos com todas as moedas que tinhamos.

Decepção – Não conseguimos encontrar D. Emiglia e sua sopinha de legumes, seus 2 quartinhos deixados pelos filhos que foram viver em Roma. Essa era a história que Jane jurava que íamos viver. 

Decepção 2 – Depois de 8 dias e infrutíferas buscas não conseguimos achar a famosa “luz da toscana”, tão falada por pintores europeus. Acho que eles não conhecem a luz de Natal.

Mais uma – Cadê as cantinas com salame pendurados no teto? Cade os italianos que falam alto e gesticulam? Cade os “hôme” prá dizer “pirobo” prá gente? Cade a música, o riso, o exagero? Acho que estamos na Itália errada… Eu bem que propus Nápoles…

Insolito – Trem para Barcelona. 6 pessoas na cabine de literas, nós 4 e mais um casal, Domenico e Franca, que no meio da noite pulou para a cama de Domenico, fizeram sexo e nem se marearam.

 

De carro pela Toscana – Episódio 5

15.05.00 – Malas no carro, hora de partir. Cedinho nos despedimos do Le Vigne e do Sr. Leonardo, o dono do Hotel. Destino: Firenze, para uma noite apenas e nada mais. As meninas já conheciam e me fizeram essa concessão. Até chegar a isso, mil deliberações, “cenários”, discussões. 

Em Firenze, Hotel Youth 2000. Horrível. Uma caserna, com hora para voltar à noite. Caro, frio, apenas confortável. 110 mile liras pelo quarto duplo, sem café da manhã e distante do centro. Pelo menos com estacionamento.

Esse não é o original

Firenze não é lugar pra se passar uma noite apenas. Gostaria de ter ficado 1 semana para percorre-la devagarzinho, beco por beco. Porque é uma cidade linda demais. Um dia eu volto.

Para completar estava havendo uma filmagem e a Galeria degli Uffizi estava fechada ao público, apesar do público acompanhar de longe a ação. Devia ser um filme importante e me pareceu reconhecer o ator frances Jean Renó. 

16.05.00 – Dentre todos os “cenários” nos pareceu melhor pegar a estrada e ir entregar o carro em San Remo, dormir ali e tomar um trem para Vientemile e Barcelona no dia seguinte. A verdade é que estávamos com saudade de entender o idioma falado, além do que a Itália, e sobretudo a Toscana, é muito cara para nossos bolsos.

Saimos cedo, chegamos em San Remo por volta da 1 da tarde, entregamos o carro na Hertz e fomos procurar Hotel. 

San Remo é um balneário com a maior cara de decadente. Impossível estar ali e não se lembrar de Roberto Carlos e “la festa appena cominciata `e giá finita / Il cielo no `e piu con noi”. Ficamos o tempo todo cantando isso. Mas ainda é um lugar onde aportam barcos e por isso tem um certo movimento nos bares do cais. Lá encontramos uma garçonete brasileira, que já vive na Itália ha 4 anos. Não sei se posso dizer que a achei feliz.

vista de San Remo desde a varanda do nosso quarto

De carro pela Toscana – Episódio 4

13.05.00 – Pegamos a autoestrada com destino a Assis, de quem Jane é devota desde criancinha (apesar de nenhuma de nós sabermos disso até o presente momento). Nos perdemos pela primeira vez. Se ligue: quando aparecer uma placa  na estrada indicando saida para uma cidade e com um monte de outros nomes, entre os quais o que voce quer, saia, porque é ai mesmo. Não se iluda achando que a saida é para a cidade que está em cima da lista. Nada irremediável. Voltamos. Chegamos a Perúgia, no meio de uma feira. Compramos chapeus porque o sol estava abrasador. Comemos sanduiche de pernil com Coca-Cola. E seguimos.

Assis, um horror!! Detestei! A cidade é linda, feio é o que fazem com ela. Comercio religioso, shopping dentro da Catedral, parece Juazeiro do Norte. A tumba de S. francisco está lá e creio que ele se mexe nela cada vez que os vendilhões do tempo acionam a maquina registradora. Tenho muita bronca com essas coisas de comercio religioso!!

CALOR! CALOR! CALOR! Ai, não foi prá isso que sai do Nordeste. A unica parte boa foi conhecer o sorvete de tiramussú, do que fiquei fã.

14.05.00 – Depois “da trauma” de Assis o melhor é ficar pelas redondezas de Radda. Catelina de Chianti, uma gracinha de cidade. “Expulsas” do restaurante pelo tratamento frio do povo que queria nos ver pelas costas. Terminamos em uma cantina em Radda: Cantina da Michelle, que, por incrivel que pareça é de um homem bigodudo e simpático. Jane ficou toda caída. Comemos uma pizza, a primeira na Italia. Bordas queimadas e irregulares, massa fininha. Nada demais.

De carro pela Toscana – Episódio 3

11.05.00 – Enfim um lar. Depois de dois dias vagando encontramos um lugar maravilhoso: um pequeno hotel no meio de uma plantação de uva. Da janela do quarto se vê as colinas, as videiras, um pequeno lago e umas casas tipo tijolo aparente. É o HOTEL PODERE LA VIGNE, em uma cidade que não está no mapa: Radda in Chianti. Preço: 100.ooo mile liras para um quarto duplo com café da manhã. Lá ficamos por 4 dias, rodando pelas cidades vizinhas. O Hotel tem um restaurante famoso na região. Vale a pena comer lá.

Paisagem vista da janela do quarto

Siena – Cidade moderna, grande e movimentada, em torno da parte histórica. Estávamos muito cansadas para vermos tudo, fomos então à Catedral, considerada a maior igreja gótica da Itália, toda em mármore branco e negro.

Siena… bem, o problema foi termos ido primeiro a San Gimignano. Depois dele tudo é sem graça… O fato é que comi uma Trippa a florentina que me deixou presa em casa com um baita desarranjo intestinal.

Atualização: Fui buscar esse Hotel no Booking.com e ele está lá. Foi remodelado e agora tem piscina. A diária para quarto duplo custa 148 reais. Uma pechincha!

De carro pela Toscana – Episódio 2

09.05.00 – Saímos de Chiaveri depois de um café da manhã fantástico e, pela autoestrada, seguimos para Lucca. Estávamos lá antes do meio-dia. Lucca estava molhada, com poças d’agua, a tormenta tinha acabado de passar. É uma cidade murada e passear pelo alto do muro é a parte mais agradável. As ruelas estreitas, com prédios medievais que parecem ter sido recobertos por uma camada de reboco. A Igreja de S. Michel parece ser o mais interessante, com uma arquitetura diferente do resto.

De lá seguimos para Pisa. A maior surpresa foi constatar que a torre é mais baixa do que eu pensava e não está isolada. Tem ao seu lado o Duomo e o Batistério. Há um intenso e agitado comércio ao redor, com senegaleses (?) vendendo de um tudo. Às 4 da tarde tentamos almoçar e não conseguimos. Tudo fechado. 

Eu, morta de cansaço

Sem almoço, seguimos para nosso objetivo maior: San Gimignano. Haviamos lido sobre a pequena cidade com 14 torres e nos pareceu ideal ficarmos hospedadas por lá. Os hoteis que encontramos com vaga eram todos muito caros e como já escurecia resolvemos ficar em uma “family rooms”. Encontramos uma cujos quartos eram extremamente limpos, lençois de linho bordado, travesseiros macios, uma delícia.

10.05.00 – Com as malas dentro do carro fomos conhecer San Gimi. Muuuuito lindoooo. Lembra Lucca só que menor, mais preservado e organizado e, por estar localizado em uma colina, com a vista mais espetacular da Toscana. Das 14 torres que dizem existir só conseguimos contar 7, talvez porque não sabemos o que eles chama de torre. Cidade encantadora. Artistas plásticos, artesão. Andando pelas ruelas, de repente ouvimos um lindo solo de sax que nos deixou paralisadas. Mágico.

San Gimignano e seu poço central

Depois de San Gimi, a idéia era nos alojarmos em Siena para ficarmos paradas em um lugar  por um tempo. As tentativas de reservar hotel pequeno ainda em San Gimi não deram certo. Pegamos a Rota do Chianti (SS222) em busca de algum lugar para pousar. A estrada é belíssima, vistas maravilhosas, mas perigosa, com subidas e descidas. Quando já aventávamos a possibilidade de dormir no carro, por acaso descobrimos (Jane descobriu conversando em “italiano” com uma senhora) um tesouro de lugar para ficar.

 

 

De carro pela Toscana – episódio 1

Depois de 3 dias cheios de recordações, retomamos o nosso roteiro, desta vez rumo a região da Toscana, na Itália.

08.05.00 – Saida de Golf Juan às 9, de trem para Vientimille, com chegada às 10:30, onde tomamos imediatamente outro trem para Genova, chegando as 13 horas. Indecisões, estresse e dificuldade de comunicação. Além de presenciar a prisão de um negro que havia largado uma bolsa na corrida. Roubo? Drogas?

Impossivel de resolver o aluguel do carro por telefone, resolvemos deixar as malas na estação e ir até o centro, buscar uma agencia de viagem. Fomos de ônibus até a Piazza Ferrari e no caminho deu pra ver como Gênova é uma cidade linda. Pena que o estresse não nos permitiu apreciar. Voltaremos. Também não resolvemos nada no centro. A orientação foi que fossemos até o aeroporto, onde estariam todas as locadoras. O problema foi arranjar um taxi que nos levasse as 4 e mais a bagagem. O “jeitinho” italiano começou a funcionar, com o taxista colocando nossas malas no teto do carro e amarrando com uma corda, pareciamos umas “retirantes”.

No aeroporto foi tambem confuso sobretudo pela dificuldade de comunicação. A impressão que tivemos foi que a Hertz nunca tinha alugado carros para particulares. Eram 6 horas da tarde e queríamos pegar a estrada e chegar em alguma cidadezinha simpática. Entramos em nosso “station wagon rosso” coreano e nem checamos como se acendiam os faróis. A intenção era chegar a La Spezia, afinal pelo mapa eram apenas 80 km. Mas pegamos a estrada pela costa. É linda, mas Fatima e eu quase não vimos nada porque é estreita sinuosa e subindo e descendo. As meninas atrás suspirando “que coisa linda”, “que fantástico” e eu Fátima com os olhos grudados na estrada. Paramos em Chiavari, na mesma região da Lugúria. Por sorte encontramos o Hotel Villadoro, um 2 estrelas com um quarto enorme que cabiam 5 pessoas e mais um mezzanino, cheirando a jasmim e com um café da manhã que deu vontade de ficar por ali.

Hotel Villadoro, em Chiavari