Deixando Ushuaia

E viemos embora. Mas, como comemos várias frutinhas Calafate, voltaremos. Os planos são para daqui a 3 anos fazermos a Rota 40, que desce de San Carlos de Bariloche até Calafate. Já compramos até as camisetas.

Uma ultima coisa bonita que vimos em Ushuaia foi o aeroporto. Uma linda estrutura em madeira, em uma arquitetura bem diferente do aço e vidro que estamos acostumadas.

aeroporto de Ushuaia

E uma foto com as meninas da Destinos Australes, a agencia que nos acompanhou durante todo o percurso da Patagônia. Super simpaticos, super profissionais.

O lago Fagnano

É um lago deslumbrante! Lá paramos para almoçar em um Hotel situado em um lugar privilegiado. O nome Fagnano é em homenagem a um padre catolico que foi administrador da Terra do Fogo, mas era chamado Cami pelo povo Ona, que ali viva antes desse cura resolver “administrar”.

Sopra um vento fortíssimo e todas nós tivemos que posar para as fotos com o chamado “peinado patagónico”, ou seja, cabelos “al aire”

as "nenas" assanhadas (no bom sentido, claro)

O lago escondido

Pudemos avistar o lago escondido desde um mirante chamado Garibalde. O lago é lindo (ai, já estou até me cansando de tanto dizer essa palavra… mas é a mais pura verdade) e fica assim meio perdido entre as montanhas.

lago escondido

Ai, no meio do nada,  há uma pichação que fiz questão de fotografar, enquanto Fá fotografava Dete

Cruzando os Andes

Ushuaia, além de ser o fim do mundo é o lugar onde a cordilheira dos Andes faz a curva. Ela desce de norte a sul e lá ela resolve virar à direita e correr de oeste a leste. E assim estavam as 3 meninas brasileiras, vindas de onde o vento faz a curva, para onde a montanha resolve fazer o mesmo. Cruzamos a cordilheira para visitarmos dois lindos lagos perdidos lá pelo meio.

Mas, antes passamos por um lugar chamado Vale de Lobos. Trata-de de um criadeiro de cães para competições de maratonas de trenós. É um lugar lindo, lindo, perdido no meio de um bosque, com cabanas de madeira. O dono chama-se Gato, o que, diga-se de passagem, é absolutamente adequado. Afff…. Deixa eu me abanar um pouco… bateu um caloooorr…..

Aprendi que a raça Rusky siberiano é fruto de um cruzamento, só tem 50 anos e está em extinção porque eles não são lá essas coisas todas para o trabalho de puxar trenós. E aprendi que eles fazem uma competição maluca no Alasca, com o percurso de 1.800 km. Ah, a raça humana…

Bom, advinhem que quase enlouquece com tantos cães lindos, doceis e carentes? Olha ela aí

Fá e ele

E prá completar ela ainda descobriu que um deles se chama Elvis!!! Olha ele

Elvis, the second

De barco pelo Canal de Beagle

O passeio de catamarã pelo Canal de Beagle valeu cada centavo que pagamos. A cidade de Ushuaia está na margem desse Canal. Se quiserem saber mais sobre ele vejam aqui e aqui.

É um passeio maravilhoso, que dura 5 horas, mas a gente viu coisas que nunca poderiamos ver em outros lugares.

Por exemplo, os lindos lobos marinhos. Fofos, fofos, fofos. O barco para bem pertinho deles e eles ficam nos olhando, com aqueles olhinhos de quem pede carinho. Dá uma vontade enorme de alisa-los.

Olha a carinha dele!
O harém do grandão

Esse marrom escuro que está ai é o macho, “dono” de todas as fêmeas ao redor dele. Precisa ver o jeito como ele se movimenta e pisa, literalmente, em todas. Ah, esses machos não tem jeito mesmo… es de su propria naturaleza…

Castores vingativos destroem o bosque

Anos atrás os caras trouxeram uns castores do Canadá e soltaram nesses bosques. A idéia era comercializar as suas peles. O negócio de peles não prosperou, em compensação os castores sim. De 25 pares, hoje existe uma população de mais de 250 mil.

Pois bem, queriam suas peles e eles se vingaram. Constroem os diques derrubando as árvores e inundam o bosque. Não tem o que se fazer, já que seus predadores naturais não existem por aqui.

E todo mundo fala mal dos pobres castores. Já teve governante que pagava por cabeça de castor que lhe levassem; outro teve a brilhante ideia de inocular um virus que os deixassem cegos… enfim…

E a cada informação dessa, Fatima, com o seu espanhol perfeito, exclamava: “nuestra”!!!

Dique construido pelos castores

No trem do fim do mundo

Claro que tinhamos que ir até o fim do fim do mundo. E para isso,  tomamos um trem. É um trenzinho lindo, estreitinho, que percorre o mesmo caminho que percorria com os presos até 1947. Sim, porque Ushuaia iniciou-se como um povoado ao redor de uma prisão, para onde eram mandados os criminosos reincidentes. E o trem os leva até um bosque, para que cortassem árvores, que serviriam para construção, para mobiliário e para aquecimento. Dai que a floresta tem partes completamente devastadas.

No trem vai um narrador todo o tempo informando as condições em que trabalhavam os prisioneiros, e a gente achou muito engraçado eles dizerem coisas como: “os presos comiam suas rações em latas e não lhes davam talheres!!”, “os presos trabalhavam das 8 às 6 da tarde!!”, enfim, o texto era tão dramático que quase choramos. Coitadinho dos presos!!!!!!

o trem do fim do mundo

O lugar onde para o trem é hoje o Parque Nacional de Ushuaia. É lindo, lindo. Voce olha  prum lado tem os picos nevados dos Andes, olha pro outro, tem umas árvores bonitas, chamadas “lengas”. Ficamos pensando se não era dai que vinha a expressão “lenga-lenga”…

Olha nós ai

Em Ushuaia

Estamos a dois dias em Ushuaia, que os argentinos pronunciam “uçuaia”. É uma cidade maior do que pensavamos e, para nosso desepero, não faz frio nesses dias. Soubemos que há mais de 6 anos não ocorrem dias tão ensolarados, com temperaturas de 17, 19 graus. E nós aqui, com as malas cheias de gorros, luvas, casacos…

Ficamos em um hotel no centro, respirando ácaros, de tão cheio de carpetes, cortinas, colchas. Tentamos trocar mas nos pareceu que aqui não há tantos hoteis turisticos como em Calafate. E fomos ficando. O café da manhã é deplorável, cheio de coisas doces, como gostam os argentinos. De salgado só um queijinho prato insípido. Conheço alguem que ia sofrer, sem nem um ovo mexido pra salgar a boca.

A cidade tem 70 mil habitantes e é um importante centro industrial do sul do país, com a pretensão de se tornar um centro de produção de tecnologia de ponta. É uma cidade livre do IVA, quase uma zona franca.

Olha uma visão dela desde o Canal de Beagle

Ushuaia vista desde Beagle