Vitória-Gasteiz, a inesperada surpresa

Distante uma hora de Bilbao, por uma autopista excelente, Vitória-Gasteiz é a sede do governo e do parlamento da Comunidade Autônoma do País Basco, podendo ser considerada, ainda que não oficialmente, a capital basca. Em épocas antigas foi uma cidade de grande importância estratégica por ser o caminho romano entre a França e a península ibérica. O nome oficial da cidade é esse, assim com hífen, porque é, diplomaticamente, a junção dos dois nomes pelos quais a cidade era conhecida: Vitória, pelos romanos, e Gasteiz pelo povo basco.

Nunca tinha ouvido falar dela até que uma amiga espanhola nos sugeriu. Fui ler, me encantei e incluímos no roteiro. Decisão acertadíssima. Vitoria é uma cidade lindinha. Quando você chega de ônibus, como nós chegamos, nos deparamos com uma cidade moderna, ruas largas, edifícios baixos (quando vejo isso me dá uma raiva dessa nossa mania de torres e edifícios de 20, 30 andares!), muitas praças e jardins. Fizemos uma cara meio assim, de decepção. Mas, felizmente o nosso hotel (num belo estilo anos 30) ficava no limite entre essa parte mais nova e o belo centro histórico.

Atravessamos a Plaza Floridita e já estamos na Plaza de la Virgem Blanca, a partir de onde começam as coisas realmente bonitas da cidade. Era um lindo dia de sol, com temperatura de maravilhosos 13 graus, e o mundo inteiro tinha resolvido sair de casa! Bares de calçada entupidos de gente, o povo no sol frio tomando cerveja e comendo pintxos, país com crianças, gente com os cachorros, enfim, a impressão que deu era que fazia anos que aquele povo não via sol.

No fundo da praça estão duas coisas interessantes de se ver. A igreja de São Miguel Arcanjo, de pedras sóbrias, e que não pudemos visitar por estar fechada. Um pouco mais acima (sim, aí começam as ladeiras e os becos) os “aquillos” – construídos no século XVIII – um conjunto de casas com terraços escalonados em arcos, de forma a resolver o problema do desnível entre a parte medieval e a nova cidade que se ampliava.

A igreja de Santa Maria está em restauração, mas pudemos ver uma parte da antiga muralha que está junto a ela.

Nessa parte antiga chama também atenção os murais pintados nas empenas de algumas edificações. Belíssimos! Mesmo quando não há pinturas figurativas algumas laterais são pintadas de cores vibrantes, dando um aspecto muito bonito.

E para subir as ladeiras encontramos a mesma comodidade que havíamos visto em Portugalete, as esteiras rolantes, aqui com a vantagem de serem cobertas para proteger do vento e da chuva.

Uma curiosidade que encontramos foi o Museu dos Naipes, que conta a história dos baralhos, sua fabricação e modelos antigos.

Come-se muito bem também aqui em Vitória, mas, como em toda Espanha, os restaurantes fecham cedo, ficando aberto apenas os bares “de picoteos”. E também como em Bilbao, as pessoais tomam as ruas com seus copos de bebidas e seus cigarros. Argh, como se fuma!

Não costumo me referir a lugares onde como, mas não posso deixar de falar do Sagartoka, um restaurante que você entra e não dá nada por ele porque você vê apenas corredor estreito com um balcão do lado, mas se você conseguir ultrapassar a multidão do bar, ao fundo vai encontrar um restaurante lindo, moderno, com uma comida excepcional, sem ser absurdamente caro. A especialidade da casa é um petisco feito com pequenos ovos envolvidos em um tipo de massa, que você põe inteiro na boca e quando mastiga o ovo derrete, quentinho. Delicia. O bacalhau a Pil Pil, prato típico basco, é também uma delicia.